O mercado global da soja iniciou a semana sob forte influência de dois fatores: o recorde das exportações brasileiras e a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto o Brasil mantém liderança nos embarques da oleaginosa, os contratos futuros em Chicago avançaram nesta segunda-feira, acompanhando a disparada do petróleo e a valorização das commodities agrícolas.
Segundo o Cepea, o desempenho das exportações brasileiras continua sendo o principal suporte da receita do setor, mesmo diante da pressão da ampla oferta interna, da queda do dólar e do recuo das cotações domésticas. Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, o maior volume para o mês na série histórica da Secex, com crescimento de 15,35% ante março e 9,6% frente a abril de 2025. A China permaneceu como principal destino, ampliando compras em 17,6% na comparação mensal. No acumulado de janeiro a abril, os embarques somam 40,24 milhões de toneladas, também recorde para o período.
No cenário internacional, as tensões entre EUA e Irã elevam a volatilidade. Após o Irã rejeitar proposta americana, o ex-presidente Trump criticou a resposta iraniana, reacendendo temores de escalada e impactos no fornecimento de energia. Por volta das 7h20, o barril do Brent subia 2,09%, a US$ 97,40, e o WTI avançava 2,1%, a US$ 103,43. A alta do petróleo impulsionou o complexo soja: os futuros em Chicago subiam mais de 10 pontos, com o vencimento julho a US$ 12,20 por bushel e agosto a US$ 12,14. Farelo subia mais de 1,4%, e óleo, cerca de 0,6%.
O movimento positivo se espalhou para trigo (alta de 1%, a US$ 6,24), milho (0,8%, a US$ 4,75) e açúcar, enquanto cacau operava em alta e café e algodão registravam ajustes. Analistas destacam a correlação entre energia e commodities agrícolas, com expectativas de maior demanda por biocombustíveis. O mercado segue atento às condições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para petróleo e fertilizantes.
Outro fator de atenção é o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, previsto para esta terça-feira, que trará as primeiras estimativas para a safra 2026/27 e poderá redefinir o comportamento dos mercados agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio


















