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S.O.S.Conselho da República pode ser acionado por Lula em meio à crise no STF

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Com o agravamento do impasse entre os poderes e a queda de popularidade do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu recomendações de seus assessores para adotar postura mais firme. A avaliação interna é que a disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) terá impacto decisivo no segundo turno das eleições, pois o próximo mandatário escolherá ao menos quatro novos ministros para a Corte.

O coordenador político da campanha de Lula, Marco Aurélio de Carvalho, defendeu publicamente a mobilização do Conselho da República como instrumento para enfrentar o que chamou de “crise institucional sem precedentes”. Para ele, órgãos da administração pública têm assumido competências que não lhes cabem constitucionalmente, gerando instabilidade.

Advogado ligado ao grupo Prerrogativas, Carvalho também indicou que o governo deve recorrer ao plenário do STF antes de acatar integralmente a decisão que gerou o conflito. A medida seria uma forma de esgotar as instâncias internas do tribunal e ganhar tempo enquanto o Conselho é acionado.

O Conselho da República é um órgão consultivo previsto na Constituição, responsável por opinar sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. Suas atribuições incluem ainda debater temas considerados essenciais para a manutenção da estabilidade democrática no país.

O estado de defesa, por exemplo, pode ser decretado pelo presidente para restaurar a ordem em regiões específicas, enquanto o estado de sítio exige aprovação do Congresso e possibilita restrições mais severas, como limitação da liberdade de locomoção e quebra de sigilo de comunicações.

A última reunião do Conselho ocorreu em 2018, quando o então presidente Michel Temer autorizou a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Na ocasião, a medida foi adotada após grave crise na área, mas não chegou a alterar o quadro geral de violência no estado.

Em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro anunciou que convocaria o órgão para exibir imagens dos atos de 7 de setembro, mas a reunião nunca aconteceu. Integrantes do colegiado afirmaram que não havia encontro agendado, o que gerou controvérsia sobre o uso político do instrumento.

Além do chefe do Executivo, o Conselho é formado pelo vice-presidente, pelos presidentes da Câmara e do Senado, por lideranças partidárias das duas casas, pelo ministro da Justiça e por seis cidadãos com mais de 35 anos. A composição busca refletir diferentes setores da sociedade.

Especialistas ouvidos sobre o tema divergem quanto à eficácia do Conselho em momentos de tensão. Alguns avaliam que sua convocação pode servir como canal de diálogo, enquanto outros acreditam que a medida poderia aprofundar o confronto entre os poderes, caso não haja vontade política para construir consenso.

A equipe de Lula, no entanto, vê margem para utilizar o órgão como forma de demonstrar à população que o governo está disposto a buscar soluções dentro do arcabouço jurídico. A estratégia, contudo, depende de articulação com os demais membros, muitos deles ligados a partidos de oposição.

O cenário atual remete a um documentário sobre a crise dos três poderes, que analisa como o país chegou a esse nível de desgaste. A produção aponta que a falta de diálogo entre Executivo, Legislativo e Judiciário tem sido uma constante nos últimos anos, agravada por episódios de tensão e decisões polêmicas.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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