Uma nova pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco, divulgada nesta terça-feira (8), traz um cenário que vai além do empate técnico entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Os números indicam que a reeleição de Raquel ainda no primeiro turno é uma possibilidade matemática real, embora não esteja assegurada.
No levantamento, Raquel aparece com 43% das intenções de voto, contra 37% de João Campos. Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) têm 1% cada, enquanto os demais candidatos não pontuam. Os indecisos somam 12%, e 6% dos eleitores declararam voto branco, nulo ou não pretendem votar. A pesquisa ouviu 1.302 eleitores entre os dias 4 e 7 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O dado que chama atenção é a soma dos adversários da governadora: todos juntos alcançam 39%, quatro pontos percentuais abaixo dos 43% de Raquel. Considerando apenas os votos válidos, Raquel teria aproximadamente 52,4%, contra 47,6% do conjunto dos concorrentes. Esse cenário, se confirmado, seria suficiente para encerrar a eleição no primeiro turno, mas a margem de erro e os 12% de indecisos ainda podem alterar significativamente o quadro.
Essa hipótese ganha força com outro levantamento recente. No Datafolha de 21 de agosto, Raquel tinha 47% contra 40% de Campos e aparecia com 52% dos votos válidos, percentual que, se repetido nas urnas, garantiria a vitória antecipada. No entanto, a Quaest mostra que a disputa segue aberta: comparada à rodada anterior, Raquel oscilou de 44% para 43%, enquanto Campos passou de 36% para 37%, não havendo tendência consolidada de abertura da vantagem.
Uma eventual vitória de Raquel no primeiro turno teria desdobramentos políticos importantes, especialmente para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Raquel adotou postura de independência na disputa nacional, afirmando estar no “palanque de Pernambuco”, e seu partido, o PSD, lançou Ronaldo Caiado à Presidência. Ao mesmo tempo, sua coligação estadual reúne apoios de partidos como PL e Novo, que hoje miram a eleição presidencial.
Caso Raquel liquide a eleição em 4 de outubro, não haveria segundo turno estadual para mobilizar a máquina do PSB e de João Campos em torno de uma disputa pelo governo. Campos é aliado de Lula, e dirigentes petistas já cobravam maior participação do presidente na campanha pernambucana diante do crescimento de Raquel. Com a ausência do segundo turno local, essa estrutura política ficaria sem objetivo imediato, mas poderia ser redirecionada para a corrida nacional.
Para Flávio, o principal benefício seria indireto: prefeitos, militantes e dirigentes do PL que hoje estão engajados na coalizão estadual de Raquel ficariam livres para se dedicar exclusivamente à campanha presidencial. Assim, mesmo sem um alinhamento explícito, a vitória de Raquel no primeiro turno poderia enfraquecer a principal estrutura estadual de apoio a Lula em Pernambuco, criando um cenário mais favorável ao candidato do PL no segundo turno nacional.
É claro que essas são avaliações e análises a partir de um corte de uma pesquisa quantitativa que mostra um retrato atual do cenário eleitoral pernambucano e que pode sofrer alteração até o dia 4 de outubro.
Fonte: Redação

























