Custo de produção de suíno sobe em SC e ração responde por
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AGRONEGÓCIOCusto de produção de suíno sobe em SC e ração responde por 72,5% das despesas

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O custo para produzir o suíno vivo em Santa Catarina apresentou elevação no mês de agosto, segundo dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), vinculada à Embrapa Suínos e Aves. O índice que mede esse custo, conhecido como ICPSuíno, atingiu 363,13 pontos, refletindo a pressão sobre os produtores catarinenses.

De acordo com o levantamento, o valor necessário para produzir um quilo de suíno vivo passou de R$ 6,29 em julho para R$ 6,35 em agosto, o que representa um acréscimo de 0,96% no período.

A alimentação dos animais continua sendo o item de maior peso na planilha de custos. No mês de agosto, a ração foi responsável por 72,53% do total das despesas de produção. Esse componente registrou alta de 0,98% em relação a julho e acumula elevação de 4,29% nos últimos doze meses.

Na prática, esse percentual indica que qualquer oscilação nos preços dos insumos utilizados na alimentação dos suínos tem impacto direto e significativo na composição do custo final da atividade.

Apesar da alta mensal, o comportamento do indicador em 2026 não é de aumento contínuo. No acumulado de janeiro a agosto, o custo de produção ainda apresenta queda de 2,04%. Já na comparação dos últimos doze meses, o cenário se inverte e mostra elevação de 1,74%.

Essa diferença entre os períodos é relevante para o produtor, pois uma variação mensal positiva não significa necessariamente que os custos estejam em trajetória de alta ao longo de todo o ano.

O avanço do custo de produção, no entanto, não se traduz automaticamente em aumento do preço recebido pelo criador. O valor pago pelo suíno depende de diversos fatores, como as condições de mercado, a oferta e a demanda, os custos ao longo da cadeia produtiva, as formas de comercialização e o desempenho das exportações.

Por isso, a alta de 0,96% registrada em agosto deve ser interpretada como uma pressão sobre a atividade, e não como uma explicação isolada para o preço da carne suína no varejo.

Santa Catarina é um dos principais polos de produção de carne suína do Brasil, e a atividade está fortemente concentrada na região do Grande Oeste. Dados da Epagri/Cepa mostram que a Mesorregião Oeste Catarinense respondeu por 80,9% da produção estadual de suínos em 2025.

Entre as microrregiões com maior volume produzido, destacam-se Concórdia, com 4,16 milhões de cabeças; Joaçaba, com 3,95 milhões; Chapecó, com 3,58 milhões; São Miguel do Oeste, com 2,30 milhões; e Xanxerê, com 948 mil cabeças. Somadas, essas cinco microrregiões ultrapassaram 14,9 milhões de cabeças em 2025.

A concentração também fica evidente quando os dados são organizados por regiões agropecuárias. Meio-Oeste, Extremo-Oeste e Oeste totalizaram cerca de 12,9 milhões de suínos abatidos em 2025, de um total estadual de aproximadamente 18,4 milhões. Isso significa que cerca de sete em cada dez suínos abatidos em Santa Catarina vieram dessas três regiões.

Outro aspecto importante para compreender a cadeia é a relação entre a suinocultura e a produção de grãos. O milho é um dos principais insumos da alimentação animal. Em 2025, Santa Catarina demandou cerca de 8 milhões de toneladas de milho, enquanto a produção estadual ficou em aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, conforme dados da Epagri. O restante precisou ser adquirido de outros estados ou do exterior.

O Oeste, o Extremo-Oeste e o Meio-Oeste desempenham papel estratégico nessa cadeia, pois concentram tanto a produção de carnes e leite quanto lavouras que ajudam a abastecer a produção animal. A própria Epagri destaca que essas três regiões se sobressaem na produção de carnes e leite e, juntas, representam mais de 50% do valor da produção agropecuária catarinense nessas atividades.

O movimento de alta nos custos ocorre em uma cadeia que se inicia nas propriedades rurais e chega ao consumidor final por meio da indústria e do varejo, mostrando a complexidade dos fatores que influenciam os preços ao longo de todo o processo produtivo.

Fonte: ND+

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