A partir da próxima segunda-feira, dia 21, a Justiça de Santa Catarina dá início às audiências de instrução e julgamento do processo que apura supostas irregularidades na antiga Central Funerária de Criciúma. O caso ganhou notoriedade após a deflagração da Operação Caronte, em agosto de 2024, e resultou em uma ação civil pública por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Nesta primeira fase, serão ouvidas as testemunhas arroladas pela acusação. De acordo com informações da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ao longo de todo o processo está prevista a oitiva de 440 pessoas, além dos interrogatórios dos réus. Em razão do elevado número de envolvidos, as audiências serão realizadas no Fórum da Comarca de Criciúma.

A Associação Sul Catarinense de Empresas Funerárias (Ascef) manifestou satisfação com o andamento do caso. Para o presidente da entidade, o empresário Rangel Quagliotto, que atua no setor funerário em Urussanga, o início dessa nova etapa demonstra que a Justiça está empenhada em esclarecer os fatos em sua totalidade. Ele ressalta, no entanto, que a anulação da licitação da Central Funerária não elimina as possíveis irregularidades ocorridas.
“A Ascef recebe esta nova etapa da Operação Caronte com confiança na Justiça e com a convicção de que os fatos precisam ser esclarecidos até o fim. A anulação da antiga licitação foi necessária, mas não apaga o que aconteceu, não encerra as responsabilidades e, muito menos, repara os prejuízos causados”, afirmou Quagliotto.
O presidente da Ascef também comentou a expectativa em relação à continuidade do processo. Segundo ele, a entidade respeita o devido processo legal e não antecipa condenações, mas não aceitará que a anulação da licitação sirva para encerrar o assunto sem que todas as responsabilidades sejam apuradas. “É preciso apurar quem fez, quem permitiu, quem se beneficiou e quem foi prejudicado. A expectativa da Ascef é de que a Justiça avance com independência e firmeza, esclareça integralmente os fatos e responsabilize, na medida de sua participação, todos aqueles cuja conduta ilícita venha a ser comprovada”, reiterou.
Quagliotto também destacou os impactos negativos para as empresas funerárias da região e, principalmente, para as famílias enlutadas. “Durante anos, empresas funerárias da região foram prejudicadas. Mais grave ainda, famílias enlutadas, fragilizadas pela perda de alguém querido, ficaram expostas a um sistema marcado por práticas que agora estão sob apuração judicial. Foram essas famílias as maiores vítimas de todo esse episódio. A dor humana jamais pode servir de oportunidade para favorecimentos, interesses particulares ou qualquer espécie de manipulação”, declarou.
O processo segue sob segredo de justiça e as audiências devem se estender por vários meses, dada a quantidade de testemunhas a serem ouvidas. A Operação Caronte investiga contratos e procedimentos da Central Funerária de Criciúma, que teria sido palco de um esquema de favorecimento ilícito.
Fonte: TN Sul


























