Santa Catarina registrou um aumento de 8% na produção agrícola em 2025, encerrando o ano entre os cinco maiores produtores do Brasil em pelo menos 20 culturas. Os dados são da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) com base no valor pago ao produtor.
O desempenho representa uma recuperação parcial das perdas sofridas em 2024, quando eventos climáticos adversos atingiram diversas cadeias produtivas. O resultado evidencia a força do agronegócio catarinense, que não depende de apoio governamental para se manter competitivo.
A declaração do presidente Lula em um comício eleitoral no sábado (19), em Florianópolis, gerou repercussão ao afirmar que, se dependesse de dinheiro do governo, os produtores rurais teriam que “não só votar, mas se ajoelhar” para ele, devido ao volume de recursos destinados à agricultura. O setor agropecuário catarinense, no entanto, demonstra que sua força vem de fatores estruturais e históricos, e não defavores políticos.
O modelo agrícola de Santa Catarina baseia-se na pequena propriedade, construída por imigrantes que desbravaram o território. O associativismo e o cooperativismo são pilares fundamentais, assim como o apoio técnico prestado há décadas pela Epagri. A resiliência do produtor rural, que acorda cedo para cuidar da terra, e a visão de empresários da agroindústria, que investiram em tecnologia e processos, completam o cenário de sucesso.
O levantamento aponta que 21 produtos tiveram crescimento no Estado, refletindo a diversidade da produção catarinense, distribuída por diferentes regiões e com forte presença da agricultura familiar. “O resultado mostra a diversidade produtiva que Santa Catarina possui na agricultura. Essa característica tem impacto direto na geração de emprego e renda, tanto no meio rural quanto nas cidades. O ano de 2025 foi importante para várias culturas recuperarem parte das perdas provocadas pelo clima adverso nas safras anteriores”, afirma Lenoir Broch, diretor de Agronegócios e Ferrovias da FACISC.
Entre as posições de destaque no cenário nacional, Santa Catarina ocupa a segunda colocação na produção de arroz, fumo, palmito e pera. O arroz se sobressai no Extremo Sul; o fumo, no Planalto Norte; o palmito, na região Norte; e a pera, na Serra Catarinense.
O Estado também é o terceiro maior produtor nacional de erva-mate, maracujá, aveia e pêssego. A erva-mate concentra-se no Oeste e Planalto Norte, o maracujá no Sul, a aveia na Serra e o pêssego no Meio-Oeste.
O pêssego foi uma das culturas que ganharam posições no ranking nacional em 2025. Santa Catarina subiu uma colocação, com recuperação do volume produzido após as perdas de 2024. Além do aumento da produção, houve valorização dos preços pagos ao produtor e melhora na qualidade dos frutos.
“Santa Catarina é um dos poucos produtores de pêssego do país. É uma cultura de clima temperado que exige cuidado desde o plantio até o pós-colheita, mas que também apresenta um alto valor bruto por hectare. A recuperação registrada em 2025 mostra a capacidade de reação da produção catarinense”, destaca Broch.
O maracujá também apresentou crescimento expressivo, com aumento de cerca de 30% na produção catarinense em 2025. O Estado se diferencia pela qualidade visual e pela doçura dos frutos. “Santa Catarina tem uma agricultura formada principalmente por pequenas famílias rurais e que consegue se diferenciar também em culturas não tradicionais. São atividades que envolvem mais riscos, mas que podem oferecer maior valor agregado ao produtor”, afirma.
Outra cultura que recuperou espaço foi o alho. O valor produzido cresceu 40% em 2025, após quedas registradas em 2023 e 2024. Com o resultado, Santa Catarina avançou duas posições e voltou à quarta colocação entre os maiores produtores do país. A cadeia também registra investimentos em renovação genética, mas enfrenta pressão das importações provenientes da Argentina.
“A recuperação do alho mostra a importância das condições climáticas e dos investimentos em renovação genética para a competitividade da cultura. Ao mesmo tempo, as importações da Argentina pressionam os produtores catarinenses e exigem uma discussão sobre estratégias de proteção à produção local”, afirma Broch.
A cevada foi outro destaque da produção agrícola catarinense. O Estado ocupa a quarta posição nacional e registrou crescimento de 162% no montante produzido em 2025. Parte do avanço ocorreu com a migração de áreas antes destinadas ao trigo para a cevada, em busca de maior rentabilidade. O fortalecimento das relações entre produtores e indústrias de malte e cerveja também contribuiu para o crescimento da cultura.
“Existe potencial para Santa Catarina ampliar ainda mais a participação na produção de cevada, ao mesmo tempo em que fortalece a indústria de malte e cerveja. É uma cadeia que pode ganhar relevância tanto no campo quanto na indústria”, avalia o diretor.
A edição de 2025 da pesquisa também colocou novas culturas entre os destaques catarinenses. O Estado aparece entre os cinco maiores produtores brasileiros de canola, cenoura e abóbora. Santa Catarina ocupa a quarta posição nacional em canola e cenoura e a quinta em abóbora. Em morango e repolho, aparece na sétima posição.
Para a FACISC, a variedade de culturas é uma característica da agricultura estadual e amplia as alternativas de renda para produtores de diferentes regiões.
O cenário, porém, também apresenta desafios. Pelo menos cinco culturas perderam posições no ranking nacional em valor produzido: maçã, cebola, melancia, batata-doce e mandioca.
Na cebola, Santa Catarina passou da liderança nacional em 2023 para a terceira posição em 2025. O setor enfrenta uma crise de preços, com impacto direto sobre a rentabilidade dos produtores. “A situação da cebola exige uma resposta para preservar a atividade e a renda das famílias produtoras. A FACISC defende a adoção de mecanismos de apoio aos produtores diante da diferença entre o custo de produção e o preço recebido”, afirma Broch.
Na maçã, Santa Catarina perdeu em 2025 a liderança nacional que manteve por três anos consecutivos. O Rio Grande do Sul assumiu a primeira posição. A produção catarinense cresceu 30%, mas a gaúcha avançou 65%. A FACISC aponta diferenças na estrutura produtiva entre os dois estados como um dos fatores que ajudam a explicar o resultado. O Rio Grande do Sul possui propriedades maiores, maior possibilidade de mecanização dos tratos culturais e investimentos em pomares de alta densidade.
“Santa Catarina tem uma estrutura de produção diferente, com forte presença da agricultura familiar. Para manter a competitividade da maçã, é necessário criar condições para que esses produtores consigam arcar com investimentos de longo prazo, como a renovação dos pomares. Sem isso, existe o risco de perda de espaço no mercado nacional”, afirma o diretor.
A análise da FACISC reforça que, apesar dos desafios, o agronegócio catarinense segue como um dos mais pujantes do país, sustentado por um modelo único que combina diversificação, tecnologia e trabalho familiar.
Fonte: NSC Total


























