O turismo rural no Brasil teve origem na Serra Catarinense, mais especificamente na região de Lages, que hoje é reconhecida como a Capital Nacional do Turismo Rural. Na década de 1980, propriedades rurais começaram a abrir suas porteiras para receber visitantes, inicialmente como uma forma de complementar a renda agrícola.
A Fazenda Pedras Brancas foi pioneira ao oferecer hospedagem, permitindo que os hóspedes vivenciassem o dia a dia no campo. Logo depois, a Fazenda do Barreiro, situada entre os municípios de Painel e Urupema, passou a servir almoços para turistas. O sucesso foi tão grande que, no ano seguinte, a propriedade também começou a acomodar hóspedes, consolidando o modelo de turismo rural que se espalharia pelo país.
Com o passar das décadas, outras hospedagens ganharam destaque na região, como o Boqueirão Hotel Fazenda, inaugurado em 1990 e que permanece como referência em Lages. Outro exemplo é a Pousada Sesc Rural, que atrai visitantes durante todo o ano e atualmente está ampliando sua capacidade de hospedagem.
O segmento evoluiu para oferecer muito mais do que simples pernoite. As pousadas rurais da Serra Catarinense proporcionam experiências que conectam os turistas à natureza e ao modo de vida rural. Entre as atividades disponíveis estão passeios a cavalo, degustação de gastronomia típica, interação com animais, trilhas e visitas guiadas.
Algumas fazendas centenárias, como a do Barreiro, preservam espaços históricos e pequenos museus, que contam a história da região e da vida no campo. Essa combinação de conforto, aconchego e contato com a cultura local tem atraído um número crescente de visitantes.
Recentemente, Lages passou a integrar o Mapa do Turismo Brasileiro, uma ferramenta do Programa de Regionalização do Turismo que identifica áreas prioritárias para investimentos e facilita a articulação entre o poder público e a iniciativa privada.
Segundo Ana Vieira, secretária municipal de Turismo, a inclusão no mapa representa uma oportunidade de projetar a cidade nacionalmente. “O trabalho consiste em valorizar nossos lugares de visitação e divulgar Lages no mercado turístico brasileiro, mostrando toda a riqueza histórica, cultural e natural que possuímos”, afirma.
Um dos principais atrativos da região é a Coxilha Rica, área que se estende entre Lages e Capão Alto. Com paisagens de vegetação rasteira e florestas de araucárias, o local é cortado por antigas taipas — muros de pedra construídos na época dos tropeiros — que carregam séculos de história.
Visando explorar esse potencial, a Prefeitura de Lages promoveu, entre agosto e setembro, uma oficina destinada a proprietários rurais e empreendedores locais. Cerca de 15 participantes se inscreveram para contribuir com o desenvolvimento da Rota Caminho dos Tropeiros.
Esse roteiro não se restringe à Coxilha Rica, mas abrange todo o contexto histórico e os equipamentos turísticos disponíveis na região. A combinação de experiências no campo, belas paisagens e a rica herança tropeira torna o caminho um projeto promissor para a Capital Nacional do Turismo Rural.
Além disso, a diversificação das hospedagens rurais tem atraído turistas de diferentes perfis, interessados tanto em descanso quanto em aventura e aprendizado sobre a vida no campo. A tendência é que o segmento continue crescendo e gerando renda para as comunidades locais.
Fonte: NSC Total


























