A eleição de José Milton Scheffer, o Zé Milton (PP), para a Câmara dos Deputados confirmou neste domingo, 4 de outubro, o peso político construído pelo parlamentar no Extremo Sul de Santa Catarina ao longo de mais de duas décadas.
Eleito deputado federal com 93.005 votos, Zé Milton recebeu 39.431 votos nos municípios da região, em um universo informado de 143.820 votos válidos nominais. Isso representa 27,41% dessa votação regional — praticamente um em cada quatro votos nominais para deputado federal. No resultado estadual, ele ficou com 2,18% dos votos válidos e garantiu uma das 16 cadeiras catarinenses na Câmara.
O desempenho ganha relevância também pelo contexto eleitoral. Zé Milton disputou pela Federação União Progressista, formada pelo PP e União Brasil, em uma eleição fortemente marcada pela polarização entre PL e PT. Seu principal concorrente dentro da própria federação era o deputado federal Fábio Schiochet, do União Brasil, político de Jaraguá do Sul e com base eleitoral no Norte catarinense.
No Extremo Sul, entretanto, Zé Milton confirmou uma base construída ao longo de anos de presença política e atuação parlamentar.
É claro que outros 54.574 foram conquistados em outras regiões, para além do Extremo Sul, mas a sua base proporcionou 42,4% dos votos nominais e isso é o que assegurou a vitória. Na política ter base é o fundamental.
Trajetória de êxitos nos últimos 26 anos
Natural de Sombrio, é engenheiro agrônomo e servidor concursado da Epagri desde 1986. Trabalhou nos escritórios da empresa em Praia Grande, Araranguá e Maracajá, foi secretário municipal de Agricultura, diretor administrativo e financeiro da Epagri e posteriormente entrou na política eleitoral.
Sua primeira eleição para prefeito de Sombrio ocorreu em 2000. Foi reeleito em 2004 e comandou o município por dois mandatos consecutivos. Também presidiu a Amesc, em 2005, e a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), em 2007, experiências que ajudaram a consolidar a característica municipalista de sua trajetória.
Em 2010, deu um novo passo e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa. Depois vieram as reeleições de 2014, 2018 e 2022, totalizando quatro mandatos consecutivos como deputado estadual. Sua atuação na Alesc teve como eixos recorrentes agricultura, cooperativismo, saúde — particularmente a defesa dos hospitais filantrópicos — e fortalecimento dos municípios.
A vitória de 2026 representa, portanto, seu sétimo triunfo eleitoral desde 2000: duas eleições para prefeito de Sombrio, quatro para deputado estadual e, agora, a primeira para deputado federal.
O resultado também chama atenção pela origem de sua base eleitoral. Sombrio e os demais municípios da Amesc estão distantes dos maiores colégios eleitorais catarinenses e não possuem a mesma densidade populacional das regiões Norte, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis ou Oeste.
Ainda assim, Zé Milton conseguiu transformar sua predominância regional em votação suficiente para chegar a Brasília.
Mais do que permitir classificá-lo isoladamente como “o maior líder” da região — uma avaliação de natureza política —, os números das urnas demonstram que Zé Milton encerra a eleição como uma das principais referências eleitorais do Extremo Sul catarinense.

A mudança para Brasília, entretanto, também altera a dimensão de seus desafios.
Na Assembleia, sua trajetória esteve fortemente ligada às reivindicações municipais e regionais. Na Câmara dos Deputados, participará das discussões nacionais sobre orçamento, agricultura, saúde, infraestrutura, pacto federativo, tributação e políticas públicas que alcançam todo o país.
Ao mesmo tempo, será cobrado pela região que sustentou parte importante de sua eleição.
Aos 66 anos e depois de 26 anos de sucessivos resultados eleitorais, Zé Milton passa a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. O desafio, a partir de fevereiro de 2027, será transformar a força eleitoral demonstrada nas urnas em capacidade de articulação federal — sem perder a ligação com o Extremo Sul que esteve na origem de sua trajetória política.


























