A disputa presidencial teve um desfecho inesperado no primeiro turno realizado no domingo (4). Apesar de todas as seis pesquisas divulgadas na véspera apontarem vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) acabou terminando na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista, segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das seções apuradas.
O resultado apertado marca a menor diferença entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno desde a redemocratização. Flávio obteve 56.104.503 votos, enquanto Lula recebeu 53.879.538, uma diferença de 2.224.965 votos, equivalente a 1,87 ponto percentual.
As pesquisas eleitorais, no entanto, não captaram essa força do candidato do PL. Todas as seis sondagens divulgadas no sábado (3) – Datafolha, Quaest, AtlasIntel, PoderData, CNT/MDA e Gerp – colocaram Flávio abaixo do percentual que ele efetivamente alcançou nas urnas. Cinco delas ainda indicavam Lula na frente.
Para uma comparação justa, os analistas consideram os votos válidos, mesma base usada pelo TSE, que exclui brancos, nulos e, no caso das pesquisas, os indecisos. Nesse recorte, apenas a Gerp apontava Flávio numericamente à frente, com 46% contra 44% de Lula.
O maior erro sobre Flávio foi do Datafolha. O instituto, contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo, ouviu 4.006 eleitores no sábado e projetou Lula com 45% e Flávio com 42% dos votos válidos. O número do senador ficou 5,03 pontos abaixo do resultado real, mais que o dobro da margem de erro de 2 pontos. Para Lula, a diferença foi de apenas 0,16 ponto. No voto total, incluindo indecisos, o Datafolha da véspera mostrava 42% a 40%.
A CNT/MDA, que entrevistou 2.007 pessoas entre 30 de setembro e 2 de outubro, foi a que mais se distanciou no conjunto. A pesquisa indicava Lula com 47,8% e Flávio com 42,1%, uma vantagem de 5,7 pontos para o petista que, somada à margem de erro de 2,2 pontos, sugeria até uma possível vitória de Lula no primeiro turno. O instituto errou Flávio em 4,93 pontos e Lula em 2,64.
O PoderData, com 4.000 entrevistas e margem de 1,5 ponto, registrou Lula com 45% e Flávio com 43%. Acertou o petista com diferença de 0,16 ponto, mas subestimou o senador em 4,03 pontos.
A AtlasIntel, que apresentava a menor margem de erro entre as seis, de 1 ponto, apontou Lula com 47% e Flávio com 44,1%. Errou os dois candidatos para fora da margem: 2,93 pontos abaixo para Flávio e 1,84 acima para Lula.
A Quaest, contratada pela Globo, mostrava Lula com 46% e Flávio com 45%, um empate técnico. Foi a segunda mais próxima, mas o número do senador ficou 0,03 ponto fora da margem de 2 pontos.
A Gerp, que ouviu 2.400 eleitores entre 30 de setembro e 2 de outubro e bancou a própria pesquisa, foi a que chegou mais perto. Cravou Flávio com 46% e Lula com 44%, uma vantagem de 2 pontos para o senador. Na urna, a vantagem foi de 1,87 ponto. Foi a única das seis com os dois candidatos dentro da margem de erro: errou Flávio em 1,03 ponto e Lula em 1,16.
O padrão dos erros se repete. Com Lula, Datafolha, PoderData e Quaest ficaram a menos de 1 ponto do resultado. Com Flávio, todas as seis pesquisas ficaram abaixo dos 47,03%, com erros variando de 1,03 a 5,03 pontos.
Na semana que antecedeu a eleição, o cenário foi semelhante. Um levantamento do portal Bahia Notícias com 11 pesquisas nacionais divulgadas na reta final mostra que apenas quatro apontavam Flávio na frente: Palver (47% a 43%), Gerp (46% a 44%), Vox Brasil (45,8% a 44,9%) e Veritá (45,14% a 44,65%). As outras sete, incluindo Datafolha, Quaest, AtlasIntel, BTG/Nexus e Real Time Big Data, davam vantagem a Lula.
Não é a primeira vez que as pesquisas subestimam um candidato da família Bolsonaro no primeiro turno. Em 2022, o Datafolha da véspera indicava Lula com 50% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 36%. Nas urnas, Lula teve 48,43% e Bolsonaro, 43,20%: o então presidente recebeu 7,2 pontos a mais do que o instituto projetava.
Os institutos de pesquisa já se preparam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na véspera do primeiro turno, as simulações de confronto direto entre Flávio e Lula já mostravam empate técnico nas pesquisas do Datafolha, da Quaest e da AtlasIntel.
Fonte: Jornal Razão


























