A sustentabilidade socioambiental e o combate às mudanças climáticas devem ocupar posição central nas políticas públicas de educação. Esse foi o principal recado do Seminário Estadual Sustentabilidade Socioambiental na Educação, promovido nesta quarta-feira (14) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. O encontro contou com a presença de representantes de entidades, fóruns educacionais, gestores públicos, pesquisadores, professores e especialistas, com o intuito de debater propostas que auxiliem na formulação do novo Plano Estadual de Educação e dos planos municipais para a próxima década.
Realizado no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no Palácio Barriga Verde, o seminário foi uma iniciativa da deputada Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura, com participação da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira e apoio da Associação Internacional Carta da Terra Internacional – Brasil e do Fórum Estadual de Educação de Santa Catarina. O objetivo é aprofundar o debate sobre a inserção da sustentabilidade ambiental nas políticas educacionais catarinenses.
A discussão está alinhada ao Objetivo 8 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei Federal 15.388/2026, que determina a promoção da educação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas em todas as instituições de ensino. Mais do que uma reflexão sobre preservação ambiental, o seminário busca contribuir diretamente para o planejamento da educação catarinense na próxima década.
Segundo os organizadores, a proposta é qualificar o debate público e produzir subsídios para a elaboração do Plano Estadual e dos planos municipais de Educação, incorporando a sustentabilidade socioambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas às políticas de ensino. A discussão ganha relevância diante dos desafios da crise climática e da necessidade de preparar as novas gerações para compreender as transformações ambientais, desenvolver consciência crítica e participar da construção de soluções sustentáveis.
O alerta é da presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Luciane Carminatti. “As questões climáticas estão aí, cada vez mais recorrentes, e não são decorrentes de um castigo de Deus, mas da ação humana. Se é uma ação humana, a escola tem a ver com a formação dos seres humanos”, afirmou.
Participaram da mesa de autoridades, além da deputada Luciane Carminatti, o representante da Secretaria de Educação, Marcus Tomasi; o membro do Fórum Nacional de Educação, Carlos Alberto Marques; a secretária-executiva do Fórum Estadual de Educação, Nara Pimentel; e o conselheiro da Carta da Terra Internacional Brasil, Luiz Figueiredo.
Ao destacar a importância do seminário, a deputada Luciane Carminatti defendeu que a escola tem papel fundamental na formação de cidadãos preparados para compreender e enfrentar os desafios ambientais. Para ela, a discussão precisa avançar para além da conscientização e contribuir efetivamente para o planejamento da educação em Santa Catarina.
Carminatti ressaltou que o encontro também promove a reflexão sobre a Carta da Terra, documento que inspira compromissos com a sustentabilidade e a responsabilidade coletiva em relação ao planeta. Segundo ela, antecipar esse debate é essencial diante do prazo para a construção do Plano Estadual de Educação. “Temos até abril de 2027 para aprovar o Plano Estadual de Educação, e esse debate é fundamental. A emergência climática é uma realidade, e Santa Catarina sente essa mudança do clima. Quando uma escola suspende as aulas em função de uma enchente, estamos diante de um exemplo concreto de como as questões climáticas afetam a educação”, afirmou a deputada.
A deputada também chamou a atenção para a necessidade de transformar os compromissos ambientais em medidas concretas, com metas, prazos, responsáveis, indicadores e recursos. A proposta é que a sustentabilidade seja incorporada ao planejamento educacional e à realidade das escolas dos 295 municípios catarinenses.
O painelista e conselheiro da Carta da Terra Brasil, Luiz Figueiredo, destacou a importância do seminário como espaço de reflexão e construção de propostas. A expectativa, segundo ele, é que o encontro contribua para definir caminhos que fortaleçam a sustentabilidade no ambiente escolar. Para Figueiredo, as unidades de ensino precisam estar preparadas para os desafios socioambientais, com uma agenda que integre o cuidado com o planeta às práticas educativas e à gestão escolar. A proposta é ampliar a compreensão de que a sustentabilidade não deve ser tratada como uma atividade isolada, mas como parte da organização e do cotidiano das instituições de ensino.
Representando o Fórum Estadual de Educação, Nara Pimentel destacou que o seminário integra um processo de discussão que envolve diferentes segmentos da sociedade catarinense. Segundo ela, o fórum reúne 51 entidades no Estado e já promoveu 12 seminários regionais com gestores para debater metas e estratégias do Plano Estadual de Educação. O trabalho busca construir um diagnóstico da realidade educacional catarinense e estabelecer prioridades para a próxima década. Nara avaliou que a sustentabilidade precisa ocupar um lugar central nesse planejamento, com objetivos e estratégias próprias. Para ela, o momento representa uma oportunidade importante para incorporar o tema de maneira estruturada às políticas públicas educacionais.
O representante da Secretaria de Educação, Marcus Tomasi, também ressaltou o desafio de transformar o debate em propostas concretas, capazes de orientar as ações do Estado e dos municípios ao longo dos próximos dez anos.
O evento também evidenciou números relevantes: abril de 2027 é o prazo mencionado pela deputada Luciane Carminatti para aprovação do Plano Estadual de Educação; 295 são os municípios catarinenses citados no planejamento educacional; e 51 é o total de entidades que compõem o Fórum Estadual de Educação.
Fonte: Assembleia SC


























