Dia do Professor: educadores de Criciúma relatam vidas
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Dia do Professor: educadores de Criciúma relatam vidas transformadas pelo ensino

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No Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro, docentes da Rede Municipal de Ensino de Criciúma são exemplos de como a educação modificou tanto suas próprias vidas quanto as de seus estudantes. A data celebra profissionais que, com dedicação, constroem caminhos e abrem portas para o futuro.

O prefeito Vagner Espindola ressalta que o trabalho dos professores foi essencial para os avanços recentes da Educação no município, como os resultados recordes no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o cumprimento da meta de alfabetização. “Existem conquistas que não podem ser medidas por notas, mas são visíveis na vida das pessoas. É o aluno que aprende a ler, aquele que descobre um talento, a criança que começa a sonhar com um futuro que antes parecia impossível. E tudo isso graças a um professor”, afirma.

Para a maioria dos educadores, a transformação que proporcionam aos alunos foi precedida por mudanças que a própria educação trouxe às suas trajetórias. Relatos que vão desde a retomada dos estudos até a inspiração em uma professora da infância revelam como essas experiências influenciaram a escolha pela profissão e a forma de ensinar.

Andreza Fidelis, professora da rede municipal há cerca de 20 anos, descobriu sua paixão pelo ensino durante um estágio de magistério na Educação de Jovens e Adultos (EJA), quando atendeu a um pedido especial de sua mãe, que não teve acesso à escola. Autora do Protocolo Municipal de Educação para Diversidade Étnico-Racial (PMEDER), ela acredita que a esperança e a confiança no potencial dos estudantes dão sentido ao trabalho em sala de aula. “Como professores, precisamos ter a esperança do verbo esperançar, como dizia Paulo Freire”, cita.

A possibilidade de construir novos caminhos por meio da educação também marca a trajetória de José Carlos Ferrarezi, que encontrou na própria experiência como aluno a motivação para se tornar professor. Ele estudou apenas até a 4ª série, mas decidiu retomar os estudos na EJA após sofrer um acidente e passar por reabilitação. A partir daí, deu continuidade à formação até concluir a graduação e, hoje, aos 49 anos, atua do outro lado da sala de aula: é professor concursado de Matemática na EJA e em escolas municipais de Criciúma. “Sempre gostei de ensinar e penso que, para ser professor, é essencial gostar de repassar conhecimento, gostar de crianças e, principalmente, amar e acreditar na própria profissão”, declara.

A experiência de voltar à sala de aula como estudante também transformou a maneira como José Carlos enxerga o trabalho docente. Ao assumir pela primeira vez a posição de professor, deparou-se com alunos cujas histórias se assemelhavam à sua. “Me vi dando aula para estudantes que, assim como eu, não tiveram a oportunidade de estudar na idade adequada. Sentia um nervosismo muito grande, principalmente pela minha idade quando dei a primeira aula, mas também foi muito gratificante. Percebi que ter ocupado a posição de estudante da EJA motivou meus alunos porque eles se viram em mim”, relata.

Entre as experiências que marcaram sua carreira, José Carlos recorda a trajetória de um estudante venezuelano que imigrou para Criciúma. Como as aulas são ministradas em Língua Portuguesa, o aluno enfrentava dificuldades para acompanhar as atividades de leitura. Ainda assim, demonstrava interesse em superar os obstáculos e buscava oportunidades para aprender também fora da sala de aula. “Ele não conseguia acompanhar a turma na leitura, pois era em português. Ao final de cada aula, pedia uma atividade extra para fazer em casa. Na conclusão do curso, foi reconhecido como aluno destaque. O interesse dele em aprender me marcou e motivou a seguir ensinando”, conta.

“Todo estudante é especial à sua maneira”

Histórias como essas reforçam o papel da educação na construção de oportunidades e na valorização das diferentes trajetórias dos estudantes. Para Andreza, essa transformação também passa pelo reconhecimento das particularidades de cada aluno e pela construção de um ambiente escolar mais inclusivo.

Durante sua atuação no Atendimento Educacional Especializado (AEE), a professora viveu uma situação que mudou sua percepção sobre as diferenças. Na época, era comum usar o termo “especial” para se referir a crianças com deficiência, até que o questionamento de um estudante a fez refletir sobre o significado daquela distinção. “Um estudante de outra turma questionou por que não podia participar das minhas aulas e respondi que só ensinava crianças especiais. Então, ele perguntou: ‘Mas eu também não sou especial?’. Aquilo me marca até hoje e entendi que todo estudante é especial à sua maneira, alguns só precisam de mais suporte”, relata Andreza.

A experiência contribuiu para ampliar seu olhar sobre a inclusão e a responsabilidade da escola em acolher as diferenças. Essa compreensão também está presente no trabalho de Andreza com o PMEDER, ferramenta voltada ao enfrentamento do racismo estrutural e à valorização da diversidade étnico-racial na Rede Municipal de Ensino.

Profissão que inspira gerações

As histórias de Andreza e José Carlos mostram que a transformação proporcionada pela educação não se limita à transmissão de conhecimentos. Ela envolve acolhimento, oportunidades, respeito às diferenças e a capacidade de reconhecer o potencial de cada estudante.

Em diferentes modalidades de ensino, esse compromisso acompanha os professores ao longo de suas trajetórias. É o caso de Kátia Goudinho, de 35 anos, que atua há dez anos na docência e trabalha no Atendimento Educacional Especializado. Sua escolha profissional foi influenciada por uma professora que conheceu na infância e que se tornou referência para sua maneira de ensinar. “Ela me marcou por ser muito querida e amorosa com seus alunos. Com ela, aprendíamos brincando”, recorda.

Fonte: Pref. de Criciúma

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