O estado de Santa Catarina realizou, no mês de outubro, o primeiro envio de sangue raro dentro da cabine de um avião de linha comercial. A ação, a terceira desse tipo registrada no país, foi articulada pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) para socorrer um paciente internado em Juiz de Fora (MG), que necessitava de hemácias com o fenótipo Js(b-), uma variação de raridade acentuada.
O doador compatível foi encontrado na cidade de Joinville e aceitou fazer a doação logo no dia posterior ao primeiro contato da equipe. Depois da realização de exames e das etapas de validação, a bolsa recebeu liberação para ser levada por via aérea, chegando ao destino em 10 de outubro.
O transporte só se tornou viável com a revisão do Termo de Cooperação Técnica que, até então, contemplava apenas o deslocamento de órgãos. O documento passou a prever também o envio de sangue raro em situações emergenciais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na sistemática anterior, as bolsas seguiam como carga comum, o que implicava prazos mais longos e risco de atrasos. Com a nova regra, o material pode ser levado sem custo em aeronaves comerciais, desde que respeite o acondicionamento correto e a faixa de temperatura controlada entre 1°C e 10°C.
De acordo com Patrícia Carsten, diretora-geral do Hemosc, a prioridade da equipe foi agilizar todas as etapas necessárias para que o sangue estivesse disponível o quanto antes ao paciente.
O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), instituído em 2013, conta hoje com 2.032 doadores inscritos e já viabilizou o atendimento de mais de 300 pessoas. O primeiro embarque de sangue raro em cabine comercial no Brasil aconteceu em 12 de setembro, ligando São Paulo ao Piauí; o segundo foi feito em 9 de outubro, do Ceará para Juiz de Fora; e o terceiro partiu de Florianópolis em 10 de outubro.
Um tipo sanguíneo é classificado como raro quando aparece em menos de uma pessoa a cada mil testadas. A compatibilidade depende de particularidades das hemácias, o que torna a busca por doadores adequados um fator crítico em atendimentos de urgência.
Fonte: SC Todo Dia
























