Assembleia faz homenagem aos trabalhadores em sessão solene

Fernando

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Para registrar o Dia Internacional dos Trabalhadores, comemorado em 1º de maio, a Assembleia Legislativa realizou sessão solene nesta quarta-feira (29), que reuniu autoridades e oportunizou manifestações dos parlamentares sobre o tema. O ato foi conduzido pelo presidente da Assembleia, deputado Sergio Peres (Republicanos).

Participaram da solenidade o secretário de estado adjunto do Trabalho e Desenvolvimento Profissional, Ricardo Osmar Barbosa de Oliveira Junior, representando o governador Eduardo Leite; o superintendente no RS do Ministério do Trabalho e Emprego, Claudir Nespolo; o defensor Público-Geral interino, Marcelo Turela de Almeida; e o vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, desembargador Cláudio Antônio Cassou Barbosa.

Da tribuna, manifestaram-se os deputados Miguel Rossetto (PT), Guilherme Pasin (PP), Professor Claudio Branchieri (PL), Dr. Thiago Duarte (PDT) e a deputada Luciana Genro (PSOL).

Miguel Rossetto (PT) ressaltou a importância do dia dos trabalhadores, que constroem a riqueza do estado e do país. Destacou atos de Lula que reorganizaram o Ministério do Trabalho. Ainda ressaltou que neste período o Brasil voltou a ter crescimento econômico, de 3% ao ano, bem como, o menor desemprego da história, com taxas inferiores a 5%. Mencionou a valorização do salário mínimo, que é base para mais de 50 milhões de trabalhadores e aposentados, bem como, para a formação da renda mínima. Além disso, citou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Sobre temas ainda em debate, para o qual é preciso compromisso como pauta central, destacou a redução da jornada de trabalho para 40 horas e o fim da escala de trabalho 6×1. Ainda falou sobre o piso salarial estadual, patrimônio do povo gaúcho inaugurado na gestão de Olívio Dutra.

Guilherme Pasin (Progressista) frisou que sem trabalho não haveria desenvolvimento possível, dizendo que ele opera dentro de uma engrenagem mais ampla, mencionando a parte da iniciativa de quem investe e empreende. Observou que quando a engrenagem funciona com equilíbrio, surgem a renda, a oportunidade e o desenvolvimento. Ponderou que existe uma falsa dicotomia entre trabalho e capital, falando da complementaridade entre eles. “Onde há ambiente para investir há espaço para empregar”. Pasin discorreu sobre a relevância do trabalho qualificado para o desenvolvimento. Acrescentou que muitos desafios e questões que os trabalhadores enfrentam também são aqueles por que passam os empreendedores. Defendeu menos burocracia e segurança ao ambiente de negócios, bem como educação de qualidade, qualificação profissional e formação técnica, além de um ambiente mais simples que permita à iniciativa privada prosperar e ampliar possibilidades. “O desenvolvimento não nasce da divisão, mas da soma das capacidades”. 
Professor Claudio Branchieri (PL) disse que o trabalhador brasileiro está sendo roubado por um sistema que tributa o trabalho, nega oportunidades de ascenção social e cria empregos de baixa remuneração, o que é “muito frustrante porque a riqueza da Nação nasce do trabalho, de quem acorda cedo”. Disse que 98,7% dos empregos criados nos últimos três anos pagam no máximo três salários mínimos. Questionou que tipo de economia estamos construindo, o de trabalhadores livres e prósperos ou o país de gente ocupada, endividada e dependente do Estado. Ponderou que emprego por si não é vitória, mas poder ter trabalho digno, sem depender de favor político. Relatou que 45% dos brasileiros buscaram renda extra nos últimos meses, o que evidencia que o salário não é mais suficiente. Discursou sobre a tributação do trabalho, lembrando que a tributação costuma ser utilizada para desestimular o uso, como sobre os cigarros, bebidas e bets, fazendo comparativos. Disse que no atual sistema o trabalhador recebe pouco e o empresário paga muito. Ponderou também que capital e trabalho não são concorrentes, são complementares.

Dr. Thiago Duarte (PDT) disse que esta é uma das datas mais significativas da história social. “Mais que uma comemoração, é momento de memória, de reconhecimento, sobretudo compromisso com o futuro do trabalho”, acrescentando que ele é a força que move o mundo, “por meio dele se constroem riquezas, dignidade, identidade e pertencimento social”.  Falou dos valores democráticos do trabalhismo, dos seus valores humanos, culturais e políticos, alicerces de uma sociedade justa. Discursou sobre a liderança do presidente Getúlio Vargas em relação ao trabalho, pois criou o marco do 1º de maio, o salário mínimo e a CLT, o que organizou e garantiu direitos fundamentais. Recordou ainda da criação do 13º salário pelo presidente João Goulart. Por fim, disse que não se pode aceitar a precarização do trabalho e é preciso avançar com responsabilidade, diálogo e compromisso com a justiça social.

Luciana Genro (PSOL) destacou o marco histórico de surgimento do 1º de maio como a data dos trabalhadores no mundo, “num contexto de exploração extrema e indignidade e que resultou na conquista de direitos básicos”. E essa luta coletiva, na atualidade, está materializada no fim da escala 6X1, modelo que impõe severas restrições aos trabalhadores e, em especial, às mulheres, que cumprem dupla jornada de trabalho e não dispõem de um só dia de descanso, salientou. Outro desafio é o combate à precarização do trabalho e a defesa intransigente dos direitos trabalhistas conquistados pela classe trabalhadora, “seriamente ameaçados depois das votações da reforma trabalhista”, conforme alertou da tribuna. O modelo de exploração capitalista impõe a desigualdade extrema, observou a deputada, e nesse contexto os trabalhadores brasileiros são desafiados a sobreviver acumulando dívidas. E cabe ao Parlamento reconhecer o valor dos trabalhadores e sua resistência cotidiana diante das adversidades.

*Com Francis Maia

Fonte: Assembleia Legislativa de RS

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