Uma família de Caçador, no Meio-Oeste catarinense, finalmente conquistou uma moradia digna e acessível. Depois de anos convivendo com goteiras e uma estrutura inacabada, os Guaripuna receberam as chaves de uma casa totalmente reformada, graças a uma ampla rede de solidariedade formada por empresários da região.
Na residência, duas pessoas têm nanismo, condição que torna tarefas cotidianas um verdadeiro desafio. Lavar a louça em uma pia de altura padrão ou acionar um interruptor no lugar convencional, por exemplo, são ações que exigem esforço adicional e, muitas vezes, a ajuda de terceiros. A falta de adaptação na antiga casa ampliava as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
O patriarca da família, João Maria Guaripuna, sustentava a casa com um salário mínimo, o que impossibilitava qualquer investimento em melhorias estruturais. Ele mesmo chegou a colocar o piso, mas a obra nunca avançou. A residência permaneceu sem pintura, sem acabamento e com o telhado comprometido, situação que se agravava em dias de chuva.
Catarina Aparecida Guaripuna, moradora da residência, descreve o drama vivido anteriormente. Segundo ela, quando chovia, a água invadia o ambiente interno, tornando a situação insustentável. Ela relembra, com tristeza, que o banheiro virava um local de risco, pois qualquer pessoa poderia se molhar ao abrir a porta, tamanha a quantidade de goteiras.
João Maria também comenta sobre a luta para tentar terminar a casa sozinho. Para ele, era inviável concluir o serviço apenas com o salário mínimo que recebia. O idoso reconhece, no entanto, que a espera valeu a pena, e agradece a todos que contribuíram com a reforma, pedindo bênçãos a Deus para cada um deles.
Diante dessa realidade, a Secretaria de Assistência Social e Habitação do município decidiu intervir. O órgão elaborou um relatório detalhado sobre a situação da família e o encaminhou ao Núcleo da Construção Civil da Associação Empresarial de Caçador (ACIC). Foi o ponto de partida para uma mobilização que mudaria o rumo da história dos Guaripuna.
Em março, as obras tiveram início, envolvendo um verdadeiro mutirão de empresas locais. Cada companhia abraçou uma parcela do projeto, custeando ou executando diferentes serviços. O telhado foi completamente trocado, eliminando as infiltrações, e um forro foi instalado no teto, proporcionando mais conforto térmico e segurança.
Os sistemas elétrico e hidráulico também passaram por uma reforma geral, com a troca de toda a fiação e encanamentos. As paredes ganharam reboco e pintura nova, dando à casa um aspecto renovado. Mas a principal alteração foi a adaptação da cozinha: a pia foi rebaixada para 60 centímetros de altura, permitindo que Catarina realize suas atividades sem precisar se esticar ou usar bancos improvisados.
Essa adaptação específica foi pensada para proporcionar autonomia à moradora. Com a pia na altura adequada, Catarina pode cozinhar e lavar utensílios com independência, o que representa um avanço enorme em sua qualidade de vida. A medida, embora pareça simples, tem impacto profundo na rotina de pessoas com nanismo, que constantemente enfrentam barreiras arquitetônicas em ambientes não adaptados.
Bruno Gatti, coordenador do núcleo empresarial que liderou a ação, explica que a união de esforços foi essencial para o sucesso do projeto. Cada empresa parceira assumiu a responsabilidade por uma etapa da construção, desde a troca do telhado até os acabamentos finais. O resultado, segundo ele, é uma obra que vai trazer imensa alegria e conforto para a família beneficiada.
Os moradores não escondem a satisfação com o resultado. Adir, outro integrante da família, afirma que a diferença é enorme e que a casa agora está praticamente nova. Ele destaca que a reforma não poderia ter vindo em melhor hora, pois a estrutura anterior estava em condições precárias.
João Maria também celebra a transformação, impressionado com a beleza do imóvel reformado. Ele comenta que, ao ver as fotos, é difícil acreditar que aquela é a mesma casa de antes. O idoso se diz muito feliz com o ambiente renovado, que agora oferece segurança e bem-estar para todos ali presentes.
Além do aspecto físico, a entrega da residência representa um resgate da cidadania e da dignidade da família. A assistente social Ana Paula Castilha Souza destaca que o trabalho foi árduo, mas a recompensa é imensa. A família Guaripuna já recebia acompanhamento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Martelo e também do CREAS/CEPRED, em razão das deficiências físicas.
Com a casa adaptada pronta, a família se prepara para a mudança, levando consigo a esperança de um recomeço. O imóvel, antes um símbolo de luta e precariedade, agora é um lar acolhedor, planejado para atender às necessidades de seus moradores.
A rede de apoio, no entanto, não encerra por aqui. Nos próximos dias, equipes da assistência social realizarão novas visitas para avaliar se a família precisa de móveis ou eletrodomésticos para completar a estrutura do lar. A ideia é garantir que todos os cômodos sejam funcionais e que a adaptação seja integral.
Esse caso exemplar demonstra como a cooperação entre o poder público e a iniciativa privada pode gerar transformações profundas na vida de quem mais precisa. Mais do que uma simples obra de construção civil, a ação representa um gesto concreto de empatia e cidadania, devolvendo a autoestima e a autonomia a pessoas que, por muito tempo, viram seus sonhos adiados pela falta de acessibilidade.
Fonte: ND+


























