Direita conquista 22 cadeiras no Senado com PL e Novo,
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CENÁRIO MUDOUDireita conquista 22 cadeiras no Senado com PL e Novo, aponta resultado

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A eleição deste domingo, 4, definiu os ocupantes de 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, que terão mandato de oito anos, de 2027 a 2035. Os 27 senadores restantes foram eleitos em 2022 e permanecerão no cargo até 2031. O pleito revelou um avanço significativo de partidos alinhados à direita, que juntos conquistaram 22 das vagas em disputa, equivalente a mais de 40% do total renovado.

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o grande destaque ao assegurar 19 cadeiras. Já o partido Novo garantiu três senadores, totalizando 22 parlamentares eleitos por essas duas agremiações. Esse resultado coloca a direita em posição de destaque na próxima legislatura.

O PL obteve vitórias expressivas em diversas unidades da Federação. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas. Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar asseguraram as duas vagas. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy foram os escolhidos. Em Santa Catarina, o partido repetiu o feito com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.

Além desses estados, o PL elegeu Márcio Bittar no Acre, Nicoletti em Roraima, Fernando Máximo e Bruno Scheid em Rondônia, Eduardo Gomes no Tocantins, Gustavo Gayer em Goiás, José Medeiros em Mato Grosso, Domingos Sávio em Minas Gerais, André do Prado em São Paulo, Filipe Barros no Paraná e Ubiratan Sanderson no Rio Grande do Sul.

O Novo, por sua vez, conquistou as outras três cadeiras do grupo, com Lahesio Bonfim no Maranhão, Deltan Dallagnol no Paraná e Marcel van Hattem no Rio Grande do Sul. Com isso, as duas legendas elegeram representantes nas cinco regiões do país, com o PL obtendo melhor desempenho no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde também garantiu as quatro dobradinhas.

A renovação deste ano abrangeu dois terços do Senado. Os 54 eleitos se juntarão aos 27 senadores escolhidos em 2022, cujos mandatos terminam em 2031. Para medir a força dos grupos políticos na próxima legislatura, é necessário somar as duas composições.

O avanço da direita, contudo, não se limita aos eleitos por PL e Novo. Diversos candidatos de outros partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial também saíram vitoriosos. Em São Paulo, Guilherme Derrite, eleito pelo PP, manifestou apoio a Flávio durante a campanha e afirmou que sua filiação ao partido ocorreu sob a condição de manter esse posicionamento. Ele chegou a declarar que havia ‘possibilidade zero’ de o PP paulista não apoiar o candidato do PL.

No Amazonas, Plínio Valério, do PSDB, declarou que votaria em Flávio para presidente, embora tenha mantido uma composição política própria no estado, sem aliança automática com o PL. Em Roraima, Teresa Surita, do MDB, apoiou Flávio meses antes da votação e conquistou uma das duas vagas, enquanto a outra ficou com Nicoletti, do PL.

No Espírito Santo, Evair de Melo, do Republicanos, também apoiou Flávio e foi eleito senador. No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim, do Podemos, declarou apoio ao candidato do PL, embora tenha afirmado em certo momento da campanha estar ‘retraído’ em relação a Flávio, sem retirar o apoio. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem, do Novo, mudou seu voto presidencial nos últimos dias, passando de Romeu Zema para Flávio no primeiro turno. Ubiratan Sanderson, eleito pelo PL no mesmo estado, também declarou apoio.

Com esse cenário, a direita pretende ampliar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente sobre o ministro Alexandre de Moraes. Em setembro, o ministro acumulava 67 pedidos de impeachment no Congresso. Naquele mês, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que havia 109 pedidos contra ministros da Corte.

Moraes tornou-se alvo principal após anos de embates com parlamentares da oposição e, mais recentemente, da divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro no contexto do escândalo do Banco Master. O tema entrou na campanha eleitoral: em agosto, Flávio Bolsonaro reuniu candidatos ao Senado em Brasília e perguntou aos presentes se eram favoráveis ao impeachment de Moraes. Entre os participantes estavam Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Guilherme Derrite (PP-SP). Todos responderam afirmativamente e foram eleitos neste domingo.

A Constituição atribui ao Senado o poder de processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Atualmente, são necessários 54 dos 81 votos para a abertura de um processo contra um ministro do STF, conforme decisão do Supremo de dezembro de 2025. Uma eventual condenação também exige dois terços da Casa.

A Presidência do Senado continua sendo outro foco de disputa. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou em setembro um projeto para estabelecer prazo de 30 dias úteis para o presidente da Casa decidir sobre pedidos contra ministros do STF. Se não houver decisão, a competência passaria à Mesa Diretora. O texto também prevê recurso ao plenário contra o arquivamento, que precisaria de 49 votos para prosperar.

Os 22 senadores eleitos por PL e Novo, sozinhos, não alcançam os 54 votos necessários. No entanto, o impeachment de Moraes também encontra apoio entre vencedores de outras legendas. Gracinha Caiado (União-GO), Mauro Mendes (União-MT), Plínio Valério (PSDB-AM), Teresa Surita (MDB-RR) e Styvenson Valentim (Podemos-RN) estão entre os eleitos que já se manifestaram favoravelmente ao afastamento de ministros do STF ou à abertura de processo contra Moraes.

Do outro lado, a esquerda conquistou 11 das 54 cadeiras em disputa. O PT elegeu seis senadores: Rui Costa e Jaques Wagner na Bahia; Humberto Costa em Pernambuco; Samanda no Rio Grande do Norte; Rogério Carvalho em Sergipe; e Marília Campos em Minas Gerais.

O PSB garantiu três vagas, com Cid Gomes no Ceará, João Azevêdo na Paraíba e Renato Casagrande no Espírito Santo. Marília Arraes conquistou uma cadeira pelo PDT em Pernambuco, e Luizianne Lins venceu pela Rede no Ceará. Juntas, as quatro legendas ficaram com 11 das 54 vagas, ou 20,4% da renovação.

Confira a lista completa dos senadores eleitos por região:

Norte
Acre: Márcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
Amapá: Rayssa Furlan (Pode) e Lucas Barreto (PSD)
Amazonas: Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB)
Pará: Hélder Barbalho (MDB) e Chicão (União)
Roraima: Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB)
Rondônia: Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
Tocantins: Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB)

Nordeste
Alagoas: Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
Bahia: Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
Ceará: Cid Gomes (PSB) e Luizianne (Rede)
Maranhão: Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
Paraíba: João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB)
Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
Piauí: Marcelo Castro (MDB) e Júlio César o Julim do Lula (PSD)
Rio Grande do Norte: Styvenson Valentim (Podemos) e Samanda de Lula (PT)
Sergipe: Rogerio Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB)

Centro-Oeste
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
Goiás: Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União)
Mato Grosso: Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL)
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)

Sudeste
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos)
Minas Gerais: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT)
Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
São Paulo: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)

Sul
Paraná: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo)
Rio Grande do Sul: Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo)
Santa Catarina: Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)

O resultado final das urnas indica um Senado mais fragmentado, mas com clara vantagem para a direita, que agora busca consolidar sua influência sobre pautas como o impeachment de ministros do STF e a presidência da Casa. A próxima legislatura, que se inicia em 2027, promete embates intensos entre os diferentes campos políticos.

Fonte: Revista Oeste

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