Jorginho Mello defende mandato único de seis anos e busca
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POLÍTICAJorginho Mello defende mandato único de seis anos e busca reeleição em SC

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Em sabatina realizada na manhã desta quarta-feira (9) no programa SC no Ar, da NDTV, o governador e candidato à reeleição Jorginho Mello (PL) voltou a defender a extinção da reeleição para todos os cargos eletivos do país, propondo mandatos de seis anos sem a possibilidade de novos períodos. A declaração, no entanto, contrasta com a própria candidatura, já que ele disputa mais quatro anos à frente do Executivo estadual.

Quando questionado sobre a aparente contradição entre seu discurso e sua campanha, Jorginho argumentou que, enquanto a legislação não muda, é legítimo concorrer dentro das regras atuais. Para ele, o pedido de novo mandato se justifica pela necessidade de dar sequência ao que classifica como processo de “passar o Estado a limpo”, iniciado em sua gestão.

A avaliação de parte dos observadores é que o governador conseguiu, de fato, promover uma espécie de renovação na estrutura estadual, algo que não se via desde os governos de Luiz Henrique da Silveira. Diversos prédios públicos, incluindo o Centro Administrativo, passaram por reformas e hoje apresentam aspecto muito mais cuidado, o que tem impacto também no ambiente de trabalho dos servidores.

Segundo pessoas próximas ao governador, esse zelo pela estrutura física reflete sua personalidade exigente. Ele costuma cobrar de secretários e assessores o mesmo padrão de organização que aplica em sua rotina, o que tem gerado resultados visíveis na administração, especialmente nos últimos três anos e meio de mandato.

Uma das principais bandeiras de sua gestão, o programa Universidade Gratuita, foi citado como exemplo de sua disposição em tirar projetos do papel. A iniciativa, que paga mensalidades de estudantes em instituições comunitárias de ensino superior, é vista por aliados como um marco, mas também enfrenta críticas de quem defende que os recursos deveriam ser direcionados à Udesc.

Sobre esse ponto, o governador rebateu dizendo que o programa não prejudicou os investimentos na universidade estadual. Ele citou obras como a do Novo Cefid, em Florianópolis, que seguem em andamento, como prova de que tanto a Udesc quanto as instituições comunitárias têm recebido atenção.

Do ponto de vista político, analistas enxergam no Universidade Gratuita uma tentativa de mostrar que Santa Catarina pode ampliar suas iniciativas independentemente do governo federal. A relação de Jorginho com o presidente Lula (PT) é considerada distante, muito em razão da aliança do governador com o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu principal padrinho político.

Observadores avaliam que essa proximidade ideológica pesa mais do que qualquer indisposição pessoal em relação ao Planalto. Contudo, ressaltam que, no plano institucional, é fundamental que o governador mantenha canais de diálogo abertos com Brasília, pois os interesses do estado, como investimentos em infraestrutura e parcerias, dependem dessa interlocução.

Na área da segurança pública, Jorginho reconheceu que há desafios a superar, citando o feminicídio como um problema que exige resposta mais eficaz. Entre suas propostas para um eventual novo mandato está a nomeação da atual vice-governadora, Marilisa Boehm, para o comando da Secretaria de Segurança Pública, com a missão de reduzir as mortes de mulheres.

A intenção de ampliar o espaço feminino no secretariado, segundo ele, é real, mas a cobrança por resultados na proteção das mulheres deverá ser imediata. As facções criminosas que atuam no estado também foram citadas como motivo de preocupação, e o governador afirmou que sua estratégia passa por investimento em tecnologia e inteligência para desarticular as lideranças desses grupos.

No setor de saneamento, Jorginho disse que pretende buscar parcerias público-privadas para a Casan, com o objetivo de melhorar os índices de tratamento e distribuição de água. Ele lembrou que, no início de sua gestão, foi necessário “passar a empresa a limpo”, resolvendo pendências administrativas que travavam sua atuação.

A escolha de Pedro Joel Horstmann para a presidência da companhia foi apontada como um acerto. Com carreira na Casan desde 1985, Horstmann conhece profundamente a estrutura da estatal e tem ampla experiência em cargos de direção e operação, o que contribui para a implementação das mudanças previstas.

Em relação à infraestrutura rodoviária, Jorginho voltou a defender a Via Mar, estrada projetada para ser uma alternativa à BR-101 no trecho entre Florianópolis e o Norte do estado. Embora alvos de críticas e acusações de caráter eleitoreiro, os projetos da via já eram discutidos desde 2024, conforme lembrou o governador, que também anunciou que a abertura das propostas para execução das obras ocorrerá em 21 de setembro.

Outra promessa apresentada na sabatina foi a construção da rodovia Oeste-Mar, que ligaria o Oeste catarinense ao litoral, melhorando a conexão com os portos e escoamento da produção. O projeto, no entanto, ainda carece de estudos de viabilidade que permitam avaliar seu custo e trajeto.

Jorginho encerrou a entrevista demonstrando confiança na vitória já no primeiro turno. Nos bastidores, ele justificou a escolha de Adriano Silva como vice por considerar que o prefeito de Joinville representa a renovação que a política catarinense demanda. Ao final, o governador pediu para registrar uma foto com a equipe de imprensa, deixando o estúdio com a certeza de que sua gestão será o principal argumento para conquistar mais quatro anos de mandato.

Fonte: ND+

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