Jovem catarinense é vítima de golpe de emprego e acaba
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INTERNACIONALJovem catarinense é vítima de golpe de emprego e acaba preso no Laos

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Um jovem de 25 anos, natural de Imbituba, no Sul de Santa Catarina, vive um pesadelo após aceitar uma oferta de emprego no exterior que prometia mudar sua vida. Luciano, que foi criado no Litoral catarinense, está preso no Laos, no Sudeste Asiático, desde o início de julho. Sua família, desesperada, organiza campanhas para arrecadar fundos e trazê-lo de volta ao Brasil.

Tudo começou há cerca de dois anos, quando Luciano recebeu pela internet uma proposta de trabalho para atuar como corretor, intérprete e em serviços de telemarketing na Tailândia. A oportunidade parecia ser o trampolim para um futuro melhor, mas escondia uma armadilha. Em fevereiro de 2024, ele embarcou para a Ásia, confiante na promessa feita pelos recrutadores.

Durante a viagem, Luciano passou por Tailândia, Camboja, Vietnã e China, sempre mantendo contato frequente com a família. Por um ano e meio, as conversas eram tranquilas, sem sinais de alerta. No entanto, no começo de julho, as mensagens cessaram subitamente. Preocupada, sua mãe, Miriam, iniciou uma busca desesperada por informações, contatando embaixadas de diversos países.

Após 20 dias sem nenhuma notícia, Miriam descobriu que o filho estava detido no Laos, junto com outros brasileiros que também caíram no mesmo esquema. O jovem relatou à mãe, em conversas telefônicas, os abusos que sofria no local de trabalho: jornadas exaustivas, privação de liberdade, proibição de sair às ruas e até de descer ao primeiro andar do prédio onde ficava.

“Eles eram espancados, sofriam abusos, diferentes tipos de agressões. Ele me disse: ‘mãe, eu não queria mais estar aqui, eu quero sair, mas eles não me deixam’”, contou Miriam, emocionada. O esquema criminoso era sofisticado, com cenários e bandeiras que simulavam credibilidade para enganar as vítimas durante o recrutamento e as operações diárias.

Enquanto alguns brasileiros que estavam na mesma situação foram liberados e retornaram ao país ainda em julho, Luciano permanece no Laos ao lado de outros dois rapazes. Para conseguir a liberdade e voltar ao Brasil, eles precisam pagar uma taxa exigida pelas autoridades locais, no valor de US$ 3.500 por pessoa, o que equivale a aproximadamente R$ 19,5 mil na cotação atual do dólar.

A família, que não tem condições de arcar com esse custo, lançou mão de campanhas de financiamento coletivo e está recebendo doações de amigos, vizinhos e desconhecidos solidários. Miriam, mãe de Luciano, mantém a esperança e a fé de que a união de todos possa trazer seu filho de volta em segurança.

“É bem difícil, sabe? Mas não é impossível. Com a união de todos, eu acredito que Deus vai dar a vitória, tanto para ele quanto para os outros jovens que estão lá juntos”, desabafou. A mobilização nas redes sociais e em plataformas de vaquinha online é a principal aposta da família para conseguir o montante necessário.

O caso de Luciano não é isolado. Nos últimos anos, várias quadrilhas internacionais têm usado falsas ofertas de emprego em países asiáticos para atrair trabalhadores brasileiros com promessas de altos salários e boas condições de trabalho. Muitas dessas vítimas acabam submetidas a condições degradantes e, em alguns casos, à prisão em locais desconhecidos.

Especialistas alertam que é fundamental desconfiar de propostas de trabalho que exijam altos investimentos iniciais ou que pareçam boas demais para ser verdade. A recomendação é pesquisar a fundo a empresa e o país, conversar com outras pessoas que já tenham atuado no local e, sempre que possível, buscar a ajuda de órgãos oficiais, como o Itamaraty, que pode orientar brasileiros no exterior.

A família de Luciano segue em campanha para arrecadar o valor do resgate e espera que a história dele sirva de alerta para outros jovens que sonham em trabalhar fora do país. A solidariedade de desconhecidos é a única esperança para que Luciano possa reescrever sua história e voltar a viver ao lado de quem o ama.

Fonte: ND+

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