O sistema de votação brasileiro, um dos mais robustos do planeta, tem nas urnas eletrônicas seu principal mecanismo para tornar o processo rápido e confiável. Contudo, a tranquilidade no dia da eleição depende de uma preparação minuciosa que se inicia meses antes e envolve múltiplas fases de controle, exames e verificações independentes. Para o pleito de 2026, esse cronograma abrange a liberação do código-fonte dos softwares, testes públicos de segurança, barreiras contra invasões externas e a checagem do funcionamento dos equipamentos no próprio dia da votação.
O desembargador eleitoral substituto Marcelo Volpato, que comanda uma comissão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) voltada a assegurar a confiabilidade das urnas, explica que as providências têm início cerca de doze meses antes do pleito. Nesse momento, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) franqueia às entidades fiscalizadoras o código-fonte dos sistemas que serão empregados, permitindo que especialistas examinem os programas e detectem possíveis falhas.
Na sequência, realiza-se o Teste Público de Segurança, aberto a qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos, que pode apresentar métodos para tentar comprometer os sistemas eleitorais. As propostas são analisadas pelo TSE e, quando aprovadas, podem aprimorar as defesas. “Todas as sugestões que são feitas nesses dois sistemas de segurança são depois avaliadas pelo TSE e as boas práticas, as boas ideias são incorporadas para melhorar e aumentar a segurança das urnas eletrônicas”, afirma Volpato.
Outro pilar da proteção está no modo de operação do próprio equipamento. Segundo o magistrado, a urna não mantém conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth, o que inviabiliza ataques remotos por essas vias. Além disso, as máquinas rodam um sistema operacional desenvolvido exclusivamente pelo TSE e só aceitam programas criados pelo próprio tribunal. A autenticidade dos softwares é atestada por assinatura digital e criptografia, gerando uma verificação mútua: o sistema operacional checa o programa que está sendo instalado e, simultaneamente, o programa só funciona se identificar que o sistema operacional também é do TSE. “Essa dupla verificação garante ainda mais a lisura do sistema”, destaca.
No dia 4 de outubro, data do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, os mecanismos de fiscalização atingem uma etapa que poderá ser acompanhada pelo público em Santa Catarina: o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, conhecido como votação paralela. O procedimento começa na véspera, com o sorteio de urnas já preparadas para o pleito. Em território catarinense, os equipamentos escolhidos são levados a Florianópolis e submetidos a uma votação aberta, com previsão de ocorrer na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Durante a auditoria, cédulas de papel são preenchidas com votos definidos antecipadamente. Em seguida, esses votos são digitados nas urnas eletrônicas sorteadas. Ao término, o resultado registrado eletronicamente é confrontado com a quantidade de votos das cédulas físicas. “O resultado esperado é, claro, que haja total identidade entre a totalização da urna de papel com a urna eletrônica”, esclarece o juiz. O Teste de Integridade ocorre no mesmo dia da votação oficial e faz parte das auditorias previstas pela Justiça Eleitoral para verificar o desempenho das urnas em condições reais de uso. Todos os procedimentos são públicos e podem ser acompanhados pela sociedade.
Conforme Volpato, o teste é aplicado há 24 anos e, nesse intervalo, nunca foram encontradas discrepâncias entre os resultados das urnas eletrônicas e os votos usados na conferência. Caso surjam divergências de digitação, elas podem ser checadas por meio das gravações feitas durante o processo.
A verificação não se encerra com o fim da votação. Às 17 horas, cada urna imprime o boletim de urna, documento que traz o resultado daquela seção eleitoral. Os dados dos boletins possibilitam conferir posteriormente a totalização oficial. Embora a totalização seja centralizada no TSE, a transmissão das informações ocorre por uma rede própria e criptografada da Justiça Eleitoral. Portanto, o resultado divulgado pode ser comparado com os boletins impressos ao final da votação. Para Volpato, essa possibilidade de conferência é um elemento crucial do processo de segurança. “O resultado já está lá, impresso às 17 horas em cada uma das seções eleitorais.”
Fonte: Assembleia SC


























