A reta final de uma campanha eleitoral costuma expor os métodos dos candidatos, especialmente daqueles que ocupam o poder e dispõem de mais instrumentos para tentar obter vantagem. Nesta semana, Lula demonstrou exatamente isso, quando a maioria das pesquisas apontou empate técnico ou ao menos reduziu a vantagem que o atual presidente tinha como garantida.
Pressionado a mudar o foco — já que a crise no Supremo e as mensagens da lobista sobre Lulinha o estavam desgastando —, Lula decidiu apostar em duas mentiras que podem ser chamadas de ‘ecumênicas’.
A primeira foi direcionada aos católicos. Notícias falsas de que Flávio Bolsonaro ou seu grupo pretendiam aprovar um projeto que retirava Nossa Senhora Aparecida do status de padroeira do Brasil surgiram para voltar o eleitor católico contra Flávio. A falsa informação foi desmentida por jornalistas que a divulgaram, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino tornou-se um arauto da liberdade de expressão, atropelou o TSE e permitiu a difusão da mentira.
O Ministério Público Eleitoral já identificou que quem incentivava as publicações falsas era um servidor da Secom, a Secretaria de Comunicação do governo Lula. É de se imaginar que não agiu sozinho, mas isso precisa ser investigado.
A segunda mentira mirou nos evangélicos. Pesquisas mostram que, em sua maioria, os evangélicos são contra o jogo e, portanto, contra as bets. Lula, que havia regulamentado as apostas esportivas, cobrado delas bilionários impostos e taxas de outorga multimilionárias, resolveu proibi-las da noite para o dia, com uma medida provisória que, suspeito, não se tornará lei.
Isso porque o próprio Lula sabe que a arrecadação de tributos das bets tornou-se fundamental em um governo perdulário, em que a gastança é hemorrágica. Em segundo lugar, porque o futebol brasileiro tornou-se dependente dos patrocínios das bets. E em terceiro, porque sabemos que, uma vez proibidas as bets que operavam na legalidade, sobrarão apenas as que operam na ilegalidade.
O governo sabe disso, a menos que seja absolutamente inepto. Tudo isso aponta para um roteiro bastante previsível. Passada a eleição, Lula recuperará sua convicção anterior – a de que é melhor regular do que proibir. Deixará a medida provisória caducar, os clubes faturarão, os apostadores apostarão. Sua firmeza, assim como foi com a ‘taxa das blusinhas’, é como uma roupa no varal, balança sempre na direção do vento que seu marqueteiro soprar.
A proibição das bets não passa de uma mentirinha na semana da eleição. Ela parece verdade, porque a MP foi assinada, mas quando caducar, mais adiante, ficará evidente a encenação. Uma mentirinha cara, que será paga, de novo, pelos cofres públicos, que terão de indenizar as perdas da aventura eleitoral. Manda o marqueteiro, paga você.
O Brasil já não tem governo, tem apenas os interesses eleitorais de Lula. Esse cenário, tudo indica, se arrastará até o fim do segundo turno. Esperem, portanto, toda sorte de medidas populistas e irresponsáveis. E não esperem nenhuma contenção por parte dos órgãos de controle.
Afinal, por que o PT, ao longo de mais de 20 anos, aparelhou o Estado em todas as suas dimensões? Para chegar na boca da eleição e não usar o aparelho que montou? Era evidente que algum ministro aliado bancaria as fake news da padroeira. Suspeito, inclusive, que mais adiante algum outro ministro diga que a MP da proibição das bets é inconstitucional… mas só depois da eleição.
Até lá, Lula pode tudo – e é capaz de tudo. Mais um motivo para que este domingo seja tão importante: quem escolhe se quer manter ‘isso que está aí’ é você.
Fonte: Gazeta do Povo


























