O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou o pronunciamento que estava agendado para esta quinta-feira, 10 de setembro de 2026. A fala do magistrado estava marcada para as 11 horas, mas não foi realizada.
O gabinete do ministro havia confirmado que Moraes se manifestaria na manhã de hoje, porém não divulgou qual seria o assunto abordado. Momentos depois, a assessoria de imprensa do STF comunicou que o discurso seria “remarcado em data oportuna”.
A convocação do pronunciamento aconteceu apenas um dia após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, anunciar uma série de providências para tentar conter a crise instalada no tribunal. A situação foi deflagrada após a divulgação de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes.
Entre as medidas adotadas por Fachin está a retirada de Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News. A partir de agora, os procedimentos ligados a essa investigação ficarão concentrados na presidência do STF.
O inquérito foi aberto de ofício em 2019 pelo então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, sem passar por sorteio prévio. Na ocasião, Alexandre de Moraes foi designado como relator do caso. A apuração, que segue em andamento, tem como objetivo investigar notícias supostamente falsas, ameaças, calúnias e ataques que atinjam a segurança do tribunal, de seus ministros e de seus familiares.
Na quarta-feira, 9, Fachin declarou que, na condição de presidente do Supremo, tem o dever de “zelar pela preservação da integridade da Corte” e de evitar “conflitos e sobreposições processuais”.
O anúncio do gabinete de Moraes ocorreu um dia depois de Fachin marcar uma sessão para discutir se o magistrado deve ou não ser investigado por sua ligação com Vorcaro. A sessão está prevista para a próxima terça-feira, 15.
O caso foi apresentado pelo ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso do Banco Master em fevereiro deste ano. O magistrado retirou o sigilo da ação que envolve Moraes e Vorcaro em 1º de setembro, após o vazamento de mensagens nas quais o ex-banqueiro tenta conter o avanço dos inquéritos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Desde então, Mendonça solicitou esclarecimentos à PGR, tentou afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da PF — mas foi impedido por Fachin e pelo ministro Flávio Dino — e levou o caso ao plenário do STF. A discussão na próxima terça-feira também deverá avaliar a decisão e a atuação de Mendonça diante do caso.
Fonte: Revista Oeste

























