Uma nova tecnologia brasileira promete transformar a forma como os solos coesos são analisados no país. Desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, o método inovador acaba de receber patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e se destaca por reduzir custos, tempo de análise e impactos ambientais.
A solução combina espectroscopia de reflectância — técnica baseada na interação da luz com o solo — com ciclos controlados de umedecimento e secagem, simulando condições naturais e oferecendo diagnósticos mais precisos sobre a estrutura e o comportamento químico desses solos.
Tradicionalmente, análises espectrais de solo são realizadas com amostras secas e peneiradas, o que limita a compreensão da dinâmica natural do solo. O novo método propõe uma abordagem mais realista ao incluir ciclos de umidade, permitindo observar como as partículas se organizam e interagem em condições próximas às encontradas no campo.
Outro diferencial relevante é a substituição parcial de análises químicas convencionais, que são mais caras, demoradas e geram resíduos. Ao utilizar a luz como principal insumo, a tecnologia torna o processo mais ágil, econômico e sustentável.
Inicialmente voltado à comunidade científica, o método tem potencial para avançar rapidamente em aplicações práticas no agronegócio, viabilizando análises mais rápidas e acessíveis para produtores rurais. A inovação também abre espaço para o desenvolvimento e validação de insumos agrícolas, como condicionadores de solo, biochar e hidrogéis.
Os solos coesos representam um desafio significativo para a agricultura brasileira, dificultando o crescimento das raízes e reduzindo a infiltração de água. Esse tipo de solo é comum nos Tabuleiros Costeiros, faixa que se estende do Amapá ao Rio de Janeiro. A patente é resultado da colaboração entre a UFC e a Embrapa, com liderança da pesquisadora Ana Maria Vieira da Silva e orientação do professor Raul Shiso Toma.
Fonte: Portal do Agronegócio


















