PECUÁRIAPesquisa identifica novos genótipos de pastagens e abre caminho para maior produtividade

Estudo de 15 anos encontrou genótipos promissores para novas cultivares de pastagens tropicais, com potencial de aumentar a produção de forragem e a rentabilidade da pecuária brasileira.

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Um estudo conduzido pela engenheira agrônoma Estela Gonçalves Danelon, ao longo de quase 15 anos, identificou genótipos promissores para o desenvolvimento de novas cultivares de pastagens tropicais. A pesquisa demonstra que o ganho em variabilidade genética pode resultar em maior produção de forragem, aumento na oferta de carne e melhor desempenho econômico das propriedades rurais.

Segundo a pesquisadora, a técnica de mutagênese induzida se mostrou eficaz para superar limitações reprodutivas em forrageiras tropicais. “Os genótipos identificados apresentam elevado potencial para o desenvolvimento de novas cultivares, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade da pecuária nacional baseada em pastagens”, afirma.

O orientador do estudo, Dr. Nelson Barbosa Machado Neto, destaca que os resultados validam a estratégia utilizada. “Conseguimos não apenas desenvolver novos materiais, inclusive em espécies pouco exploradas, mas também avançar na indução de sexualidade nas plantas, facilitando os programas de melhoramento genético”, explica.

Um dos principais avanços foi a identificação de materiais com reprodução sexual, característica rara em forrageiras tropicais. Isso permite cruzamentos controlados e o desenvolvimento de novas cultivares com características superiores. “Para o produtor, significa maior produtividade de forragem, mais carne por hectare e melhor rentabilidade”, ressalta o pesquisador.

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A pecuária brasileira é majoritariamente baseada em pastagens, com destaque para espécies do gênero Urochloa, como braquiárias. O melhoramento dessas gramíneas enfrenta desafios como apomixia, poliploidia e baixa recombinação genética, que limitam a evolução genética e a obtenção de novas variedades mais produtivas.

Para superar essas barreiras, a pesquisa utilizou indução de mutações por agente químico (metilmetanosulfonato), associada à caracterização morfológica, fisiológica e molecular. Foram avaliados mutantes derivados das cultivares Tully, Llanero e Conda, incluindo espécies como Urochloa humidicola e Urochloa brizantha.

Os resultados mostraram ampla variabilidade genética em características agronômicas como hábito de crescimento, morfologia foliar, capacidade de perfilhamento, tolerância ao pisoteio e resistência ao déficit hídrico. Entre os destaques, mutantes da cultivar Tully apresentaram grande plasticidade, linhagens de Llanero mostraram alta capacidade de rebrota e resistência ao pisoteio, e genótipos de Conda indicaram elevado potencial produtivo e tolerância à seca.

A análise molecular identificou polimorfismos significativos, evidenciando variações genéticas importantes entre os materiais avaliados. Os resultados confirmam que a mutagênese é uma ferramenta eficiente para ampliar a base genética de forrageiras tropicais, historicamente limitada.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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