HISTÓRIAQuem foi Anna Jarvis e por que a criadora da data se arrependeu de ter inventado o Dia das Mães

Anna Jarvis, criadora do Dia das Mães, passou as últimas décadas de sua vida tentando cancelar o feriado, revoltada com a comercialização da data. Morreu empobrecida em 1948.

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O segundo domingo de maio movimenta bilhões no comércio global com a venda de flores, chocolates e pacotes de viagem. No entanto, a verdadeira história por trás dessa tradição passa longe das vitrines lotadas. A mulher responsável por instituir a homenagem dedicou as últimas quatro décadas de sua vida a destruir a máquina comercial em que sua ideia se transformou, morrendo empobrecida em um sanatório.

A origem de uma homenagem pessoal

Ann Reeves Jarvis, mãe da futura fundadora, foi uma ativista comunitária que organizou clubes de mães na década de 1850 para reduzir a mortalidade infantil na região de West Virginia. Durante a Guerra Civil Americana, organizou brigadas femininas para socorrer soldados feridos. Após sua morte em maio de 1905, sua filha Anna Jarvis prometeu manter viva a memória materna e iniciou um movimento para estabelecer um dia oficial em honra às mães.

O impacto e a oficialização

Anna escreveu centenas de cartas para políticos e líderes religiosos, resultando no primeiro culto oficial em 1908, onde distribuiu cravos brancos. Em 1914, o presidente Woodrow Wilson assinou a lei que tornou o segundo domingo de maio um feriado nacional. No Brasil, a data foi institucionalizada em 1932, no governo de Getúlio Vargas.

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A revolta contra o mercado

Após a oficialização, o setor privado sequestrou o significado da homenagem. As floriculturas inflacionaram o preço dos cravos, e a indústria gráfica passou a comercializar cartões com mensagens prontas. Inconformada, Anna criou uma associação internacional, registrou a expressão como marca, invadiu convenções, promoveu boicotes e foi presa por perturbação da ordem pública. Chegou a acionar judicialmente organizações de caridade e empresas, gastando toda sua herança para tentar revogar o feriado.

O legado original

Anna defendia que o dia deveria permanecer íntimo: filhos adultos voltando à casa das mães para oferecer apoio emocional, não para comprar bens materiais. Após décadas de processos legais e isolamento, morreu aos 84 anos, em 1948, em uma instalação psiquiátrica na Pensilvânia, sem recursos. O feriado seguiu sua rota de expansão, consolidando-se como o segundo período mais lucrativo do comércio.

Fonte: Jovem Pan

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