A Ri Happy, uma das maiores redes de brinquedos do Brasil, entrou com pedido de recuperação extrajudicial envolvendo uma dívida de R$ 827,4 milhões. O processo foi protocolado no Tribunal de Justiça no domingo (18) e confirmado pela empresa nesta segunda-feira (19). Além da Ri Happy, o pedido envolve outras empresas do grupo, como Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens e Pbkids Brinquedos.
A iniciativa ocorre menos de dois meses após uma mudança no controle da companhia. Em 31 de agosto, a BluSun Capital anunciou a compra de 100% da operação, encerrando um período de 14 anos sob controle de fundos de private equity. O valor da transação não foi divulgado. Com a mudança, Héctor Nuñez voltou ao comando da empresa como CEO. Ele já havia liderado a Ri Happy entre 2012 e 2020 e substituiu Thiago Rebello, que ocupava o cargo desde fevereiro de 2024.
Segundo a companhia, a recuperação extrajudicial tem como objetivo reorganizar a dívida e adequar a estrutura financeira às necessidades operacionais, criando condições para a continuidade do plano de transformação do negócio. A empresa afirma que as lojas físicas e os canais digitais seguem funcionando normalmente, com foco nas vendas da Black Friday e do Natal, períodos importantes para o varejo de brinquedos. A Ri Happy atribuiu parte das dificuldades aos juros elevados, mudanças no comportamento de consumo, aumento da concorrência e efeitos acumulados da pandemia sobre o varejo.
A nova estrutura de gestão também conta com Carlos Fernandes como COO, Diego Motta como CFO, Sandra Haddad na área comercial, Alexandra Carrão em gente e gestão e Robledo Castro em tecnologia e transformação digital. A recuperação extrajudicial não é a primeira tentativa de reorganização financeira da companhia. Em 2023, o varejista contratou a Starboard Partners para renegociar R$ 289 milhões em dívidas com novas instituições financeiras. Na ocasião, os vencimentos foram alongados por até cinco anos e o então controlador Carlyle relatou R$ 75 milhões.
A Ri Happy chegou a tentar abrir capital em 2018. A operação poderia avaliar a companhia entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão, mas a oferta foi adiada diante da baixa demanda dos investidores e de questionamentos sobre a dependência do negócio de brinquedos e a participação ainda reduzida do comércio eletrônico. Atualmente, a companhia integra uma rede de cerca de 290 lojas e registra faturamento anual próximo de R$ 1,2 bilhão. O movimento da Ri Happy ocorre em um momento de pressão sobre as empresas do setor. Em maio, a fabricante Estrela também recorreu à Justiça, com pedido de recuperação judicial envolvendo dívida de R$ 109 milhões.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar um plano diretamente com credores e buscar homologação judicial, sem necessariamente interromper suas atividades. No caso da Ri Happy, a prioridade declarada é preservar a operação e reorganizar a estrutura de capital para sustentar o negócio no longo prazo.
Fonte: NeoFeed

























