POLÍTICAZema recua e diz que áudio de Flávio Bolsonaro é ‘página virada’

Após chamar contato do senador com banqueiro de ‘imperdoável’, ex-governador mineiro minimiza episódio e descarta ruptura na direita.

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O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, voltou atrás neste sábado (20) e afirmou que o episódio envolvendo o áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro é ‘página virada’. Na quarta-feira (17), Zema havia publicado um vídeo criticando duramente o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando como ‘imperdoável’ o contato no qual Flávio pede dinheiro ao dono do Banco Master. A mudança de tom ocorre após o posicionamento gerar desgaste entre apoiadores bolsonaristas e nos diretórios do partido Novo no Paraná e em Santa Catarina.

— Fiquei muito decepcionado (com o áudio), mas eu agi de acordo com meus princípios e valores. E, para mim, é uma página virada — declarou Zema a jornalistas durante evento partidário em Belo Horizonte, conforme veiculado pelo portal g1.

Em seguida, o ex-governador minimizou o impacto da discórdia sobre a unidade da direita na disputa presidencial. Ele ponderou que ‘não houve nenhuma ruptura’ e afirmou estar certo de que todos se unirão em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

— Nós temos vários pré-candidatos à Presidência. Não houve nenhuma ruptura. Houve uma manifestação dura da minha parte, que fiquei decepcionado, mas o cenário continua o mesmo. A pré-candidatura dele, a minha pré-candidatura, e tenho certeza de que, no segundo turno, nós estaremos todos juntos contra a esquerda, contra o PT — completou Zema.

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Na quarta-feira, após a divulgação do áudio, Zema havia sido contundente: ‘Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil’.

A reação de Zema gerou críticas imediatas de pessoas próximas a Flávio, como o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN). Nas redes sociais, eles classificaram Zema como ‘oportunista’. Em resposta, o ex-governador disse que as críticas são ‘problema seu’.

O áudio que gerou a polêmica foi enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em 8 de setembro de 2025, quando os envolvidos na produção do filme ‘Dark Horse’, uma homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrentavam dificuldades para honrar compromissos da montagem. Na mensagem, o senador diz: ‘Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pra o filme’.

Dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero — que investiga suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro —, Flávio voltou a contatá-lo. Na mensagem, escreveu: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!’.

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Conforme mostrou o GLOBO, parlamentares e empresas ligadas ao projeto apresentaram explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos. A sequência de declarações levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar as apurações sobre o destino do dinheiro.

A principal linha de investigação tenta esclarecer se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro, foram usados exclusivamente na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

O episódio evidencia as tensões internas no campo da direita, que tenta se unificar em torno de uma candidatura para enfrentar o PT no segundo turno. Enquanto Zema busca se posicionar como uma alternativa com ‘credibilidade’, suas declarações contraditórias levantam questionamentos sobre sua coerência e alinhamento com o bolsonarismo.

Fonte: O GLOBO

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