O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com negociações lentas e baixa fluidez nos negócios. O cenário é resultado da combinação de incertezas climáticas, cautela dos produtores e pressão cambial sobre a competitividade das exportações do grão.
Segundo análise da Safras Consultoria, a previsão de um clima mais seco para importantes regiões da segunda safra, especialmente em Goiás e Minas Gerais, levou os produtores a reterem novas fixações de venda, diminuindo a oferta disponível no mercado.
Esse movimento ocorre em um momento decisivo para o desenvolvimento da safrinha, o que mantém compradores e vendedores cautelosos diante das perspectivas para a produtividade das lavouras.
Enquanto produtores de Goiás e Minas Gerais adotam uma postura mais retraída, estados como São Paulo e Paraná registraram um aumento na oferta de milho ao longo da semana. Mesmo assim, o mercado permaneceu com pouca movimentação, com consumidores pouco ativos na aquisição de novos lotes, o que limitou pressões significativas de baixa sobre as cotações internas.
O enfraquecimento do dólar frente ao real foi outro fator impactante, reduzindo a paridade de exportação nos portos brasileiros. Essa desvalorização cambial diminuiu a competitividade do milho nacional no mercado externo, limitando o fechamento de novos negócios para exportação.
No cenário internacional, os preços também perderam força na Bolsa de Chicago. O mercado acompanhou a queda do petróleo e o avanço das negociações diplomáticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, fatores que contribuíram para um movimento mais baixista entre as commodities.
As atenções do setor agora se voltam para o relatório de oferta e demanda de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento é aguardado como um dos principais direcionadores do mercado global de grãos e deve trazer as primeiras projeções oficiais para a safra norte-americana e mundial de milho no ciclo 2026/27, podendo influenciar diretamente o comportamento das cotações internacionais nas próximas semanas.
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 62,42 no dia 7 de maio, registrando queda de 0,70% frente aos R$ 62,86 observados no encerramento da semana anterior. Entre as principais regiões acompanhadas, Cascavel (PR) registrou recuo de 1,59%, com a saca passando de R$ 63,00 para R$ 62,00. Em Campinas (SP), referência para o mercado CIF, os preços permaneceram estáveis em R$ 70,00 por saca, assim como na região da Mogiana paulista, que manteve a cotação em R$ 65,00.
No Centro-Oeste, Rondonópolis (MT) apresentou queda de 1,89%, com a saca recuando para R$ 52,00. Em Rio Verde (GO), os preços caíram 3,33%, encerrando a semana em R$ 58,00. Em Uberlândia (MG), a retração também foi de 3,33%, com a saca passando de R$ 60,00 para R$ 58,00. No Sul do país, Erechim (RS) manteve estabilidade, com o milho negociado a R$ 68,00.
Apesar da lentidão no mercado interno, as exportações brasileiras de milho apresentaram crescimento expressivo em abril. A receita obtida com os embarques do cereal somou US$ 120,813 milhões nos 20 dias úteis do mês, com média diária de US$ 6,040 milhões. O volume exportado atingiu 473,875 mil toneladas, com média diária de 23,693 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 254,90.
Na comparação com abril do ano anterior, houve alta de 149% no valor médio diário exportado e avanço de 165,7% no volume médio embarcado. Por outro lado, o preço médio da tonelada registrou desvalorização de 6,3% no período.
Fonte: Portal do Agronegócio
























