A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formou maioria nesta sexta-feira (15) para manter suspensa a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos da Ypê. Segundo os diretores da agência, as medidas adotadas pela empresa foram “insuficientes” e os riscos sanitários identificados pela fiscalização “não foram superados”.
A Anvisa reforçou que a análise atual tem natureza cautelar e que o mérito definitivo do processo administrativo sanitário ainda será julgado posteriormente. Qualquer diretor da Anvisa pode pedir vista do processo, o que interromperia a deliberação e adiaria a conclusão do caso para uma próxima reunião da Diretoria Colegiada.
Segundo a agência, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca. A contaminação foi detectada durante fiscalizações que apontaram irregularidades em etapas importantes da produção.
Durante a vistoria, foram encontradas falhas nos processos de higienização e controle de qualidade, comprometendo a segurança microbiológica dos produtos. A principal preocupação da Anvisa é a possibilidade de contaminação dos itens que podem entrar em contato com a pele ou mucosas dos consumidores.
A Anvisa afirmou que a medida segue o princípio da proteção à saúde da população, adotando uma postura cautelar diante do risco identificado. A orientação para consumidores que possuem em casa produtos dos lotes afetados é interromper imediatamente o uso e entrar em contato com a empresa para orientações.
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente, presente no ar, na água, no solo e até na pele de pessoas saudáveis. Segundo a literatura médica, trata-se de uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar quadros graves em indivíduos com sistema imunológico comprometido.
As infecções variam de quadros leves a doenças graves com risco de morte, podendo atingir pele, pulmões, sangue, olhos, ouvidos, trato urinário e gastrointestinal, conforme o centro médico acadêmico americano Cleveland Clinic. Em casos mais severos, a infecção pode evoluir para sepse e falência de órgãos.
De acordo com referências médicas, as infecções por Pseudomonas aeruginosa tendem a ser mais frequentes e mais graves em pessoas imunossuprimidas. Entre os grupos de maior risco estão pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados em uso de imunossupressores, pessoas com HIV/aids sem controle, pacientes em uso prolongado de corticoides, pessoas com doenças autoimunes em tratamento, diabéticos e pacientes hospitalizados.
A empresa Ypê ainda pode recorrer da decisão, apresentando novos recursos ou medidas corretivas. O processo administrativo sanitário segue em análise e pode resultar em sanções definitivas após julgamento do mérito.
Para mais informações, a Anvisa disponibiliza canais de atendimento ao consumidor e orientações sobre como proceder em caso de dúvidas sobre os produtos suspensos.
Fonte: NSC Total























