SAÚDEPouca força nas mãos pode indicar maior risco de depressão, aponta estudo

Pessoas com menor força de preensão manual têm 42% mais chances de desenvolver depressão, segundo pesquisa com quase 500 mil pessoas.

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Um novo estudo publicado no Journal of Psychiatric Research aponta que a força de preensão manual, medida pela intensidade do aperto das mãos, pode estar associada a um maior risco de desenvolver depressão. A dificuldade em abrir um pote ou carregar compras, por exemplo, pode revelar mais do que uma perda de força física, servindo como um sinal de alerta para a saúde mental.

A pesquisa reuniu dados de 12 estudos realizados em diferentes países e analisou informações de quase 500 mil pessoas. Os resultados mostram que indivíduos com menos força nas mãos apresentaram 42% mais chances de desenvolver sintomas depressivos ou depressão ao longo do tempo, em comparação com aqueles que tinham mais força muscular.

Segundo os pesquisadores, a associação se manteve consistente independentemente da idade, sexo ou hábito de fumar. No entanto, os autores ressaltam que o estudo não indica que a fraqueza cause depressão diretamente, mas que ela pode funcionar como um importante sinal de alerta para vulnerabilidades futuras na saúde mental.

A depressão é considerada um dos transtornos mentais mais comuns no mundo. Estima-se que cerca de 332 milhões de pessoas convivam com a doença globalmente, especialmente adultos de meia-idade e idosos. Entre os sintomas mais frequentes estão tristeza persistente, perda de interesse em atividades cotidianas, desânimo e dificuldade de sentir prazer.

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Os cientistas explicam que métodos tradicionais de diagnóstico nem sempre são acessíveis para toda a população, seja pela falta de especialistas ou pelos custos envolvidos. Por isso, cresce o interesse por ferramentas simples e de baixo custo que possam ajudar na identificação precoce de pessoas em maior risco.

Foi nesse contexto que os pesquisadores decidiram investigar a força de preensão manual. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a capacidade de apertar a mão com firmeza está relacionada não apenas à força muscular geral e à capacidade funcional do corpo, mas também a condições como hipertensão e diabetes tipo 2. Além disso, pesquisas recentes apontam que pessoas com maior força de preensão tendem a apresentar volumes maiores no hipocampo — região do cérebro ligada à memória e à regulação emocional.

Outro ponto considerado vantajoso pelos cientistas é a praticidade do exame. A medição é feita com um aparelho portátil chamado dinamômetro, capaz de avaliar rapidamente a força exercida pelas mãos de maneira simples e barata.

Para realizar a análise, os pesquisadores revisaram estudos publicados até fevereiro de 2025 em cinco grandes bases de dados científicas. Foram incluídas apenas pesquisas de acompanhamento de longo prazo, com duração mínima de um ano, envolvendo participantes que não tinham diagnóstico prévio de depressão no início da avaliação.

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Os resultados mostraram que pessoas com menor força de preensão apresentaram cerca de 26% mais risco relativo de desenvolver depressão ao longo do acompanhamento. Embora os pesquisadores classifiquem o impacto clínico como modesto, eles afirmam que a associação foi estatisticamente significativa.

Os autores destacam que a força de preensão não deve ser vista como um diagnóstico isolado, mas como um marcador amplo de saúde física e resiliência. Ainda assim, defendem que, se novos estudos confirmarem os resultados, testes simples de força muscular poderão ser incorporados futuramente como ferramenta complementar para identificar precocemente pessoas mais vulneráveis ao adoecimento mental.

A expectativa é que estratégias de detecção antecipada permitam intervenções mais rápidas, ampliando as chances de prevenção e tratamento antes que os sintomas depressivos se agravem.

Fonte: O GLOBO

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