Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantinha um sistema estruturado de repasses financeiros para integrantes presos, classificados pela organização como membros que prestaram “bons serviços” à facção.
Segundo o inquérito, os pagamentos eram feitos mensalmente por meio de um núcleo interno conhecido como “Setor da Ajuda”, responsável por distribuir recursos tanto para presos quanto para familiares. Os valores identificados variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil por mês, dependendo da função e da relevância do integrante dentro da estrutura criminosa.
As apurações indicam que os recursos eram movimentados de forma fracionada e repassados por meio de contas de terceiros, muitas vezes ligados a familiares ou pessoas usadas como intermediários. O objetivo seria dificultar o rastreamento do dinheiro e manter o fluxo financeiro da organização mesmo com lideranças no sistema prisional.
O material investigado também aponta que o esquema não se limitava ao apoio a presos, mas funcionava como uma engrenagem de sustentação da facção, garantindo manutenção de vínculos internos e suporte a operações externas do grupo criminoso.
De acordo com os investigadores, o PCC teria estruturado esse modelo como parte de uma lógica organizacional mais ampla, que inclui hierarquia interna, disciplina e redistribuição de recursos. O sistema também reforçaria a lealdade entre integrantes encarcerados e a liderança da facção fora das prisões.
O caso segue em análise pelas autoridades, dentro de operações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas no estado de São Paulo.
Fonte: Danúzio News























