CIÊNCIAExame de sangue com IA antecipa em até 15 anos risco de 6 doenças cardiovasculares

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Um novo exame de sangue interpretado por inteligência artificial (IA) é capaz de estimar a probabilidade de seis importantes doenças cardiovasculares até 15 anos antes de elas serem percebidas clinicamente. O teste, chamado CardiOmicScore, foi desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina LKS da University of Hong Kong (HKUMed).

O desenvolvimento partiu da análise de 2.920 proteínas circulantes e 168 metabólitos medidos em amostras de sangue de dados populacionais em larga escala do UK Biobank. Esses sinais moleculares funcionam como ‘gravadores em tempo real’ do organismo, capturando alterações sutis no sistema imunológico, no metabolismo e na saúde vascular.

Os pesquisadores utilizaram aprendizado profundo para combinar dados multiômicos — incluindo genômica, metabolômica e proteômica — na criação do índice. Com um único exame de sangue, o CardiOmicScore estima o risco de doença arterial coronariana, AVC, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença arterial periférica e tromboembolismo venoso.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, associadas a cerca de 20 milhões de óbitos em 2022. Em exames de rotina, os médicos normalmente estimam o risco cardiovascular observando fatores como idade, pressão arterial, tabagismo e outros indicadores clínicos convencionais.

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Essas medidas podem deixar passar alterações biológicas iniciais e sutis que surgem antes do diagnóstico. As pontuações de risco poligênico são outro método, mas não capturam o quadro completo, porque a genética não muda com o tempo.

Por isso, o CardiOmicScore oferece um retrato mais apurado e atualizado dos efeitos do ambiente e das mudanças no estilo de vida na saúde. ‘Os genes determinam de onde começamos, definem nosso risco básico de saúde. No entanto, proteínas e metabólitos refletem nosso estado físico atual’, afirmou o professor Zhang Qingpeng, um dos autores do estudo.

‘Nossa ferramenta de IA foi projetada para decodificar esses sinais moleculares complexos, permitindo que médicos e pacientes identifiquem riscos muito mais cedo, o que pode potencialmente mudar o curso da doença por meio de modificações oportunas no estilo de vida e prevenção precoce’, acrescentou Zhang.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications e representa um avanço na predição de doenças cardiovasculares, combinando biomarcadores multiômicos e aprendizado profundo.

Fonte: Ecos da Notícia

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