O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, revelou que está aberto a formar alianças ainda no primeiro turno das eleições, inclusive com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD. O objetivo é viabilizar uma alternativa de direita que possa superar o senador Flávio Bolsonaro, do PL, atualmente o nome mais forte do campo conservador nas pesquisas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
A declaração foi feita nesta terça-feira, 26 de novembro, durante um encontro com investidores na cidade de São Paulo. A fala ocorre depois da divulgação de áudios que envolvem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Zema indicou que a decisão sobre possíveis coligações será tomada apenas mais perto do prazo final estipulado pela Justiça Eleitoral. Ele afirmou que essas negociações são constantes e que o desfecho costuma ocorrer no último instante permitido pela legislação. Segundo o ex-governador, o calendário eleitoral define o dia 15 de agosto como o limite para o registro oficial das candidaturas.
Na avaliação de Zema, o ambiente político continuará se modificando até a reta final do processo eleitoral. Ele declarou que pretende levar sua pré-campanha e campanha até o fim, independentemente das articulações em andamento. O ex-governador ressaltou que as mudanças de cenário acabam justificando uma definição mais tardia sobre alianças.
Apesar da cautela quanto ao timing, Zema fez questão de destacar a boa relação que mantém com Caiado e sinalizou disposição para compor com ele. Ele afirmou que os dois se entendem muito bem e, quando questionado se aceitaria ser vice do goiano, respondeu de forma bem-humorada se não poderia ser o contrário.
O ex-governador mineiro também mencionou a proximidade política e administrativa entre Minas Gerais e Goiás, além do bom convívio com outros governadores durante seu mandato. Ele lembrou que criou um consórcio com sete governadores e que se deu bem com todos, inclusive com Tarcísio de Freitas, de São Paulo. Para Zema, Goiás e Minas são estados quase gêmeos, com muitas semelhanças.
Mesmo com a possibilidade de composição, Zema garantiu que, independentemente de quem avance para o segundo turno representando a direita, haverá união do campo conservador com o objetivo de derrotar Lula. Ele afirmou que todos estarão juntos na luta principal, que é combater a esquerda.
Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, 22 de novembro, Lula apareceu com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registrou 43%. No levantamento anterior, uma semana antes, ambos estavam empatados com 45%. A oscilação ocorreu após as revelações relacionadas à produção do filme Dark Horse, envolvendo o senador.
Durante o evento, Zema voltou a criticar Flávio Bolsonaro de forma direta. Ele afirmou que a eleição será marcada pela indignação dos eleitores e sugeriu que a crise envolvendo o Banco Master deve prejudicar candidaturas ligadas ao episódio. Em referência velada à visita do senador a Daniel Vorcaro, Zema disse que o eleitorado não aceitará candidatos que tenham se reunido com um banqueiro que ele classificou como bandido.
No campo econômico, o ex-governador fez críticas ao que considera falhas no mercado de trabalho e nos programas sociais. Na visão dele, o atual modelo de transferência de renda, como o Bolsa Família, estaria criando uma geração de pessoas que preferem não se inserir formalmente no emprego. Zema afirmou que há muitas pessoas, com idades entre 20 e 30 anos, recebendo o benefício e complementando a renda com trabalhos informais.
O pré-candidato defendeu regras mais rígidas para beneficiários que recusam oportunidades de trabalho, argumentando que o sistema atual pode desestimular a busca por qualificação profissional. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que há grupos que devem continuar sendo assistidos por políticas sociais, como mães com filhos pequenos.
Na área da segurança pública, Zema também criticou a forma como o tema é tratado no Brasil. Para ele, enquanto a formulação de políticas ficar a cargo de sociólogos, e não de profissionais da área policial, os resultados continuarão insuficientes.
Fonte: Jovem Pan
























