O senador Flávio Bolsonaro (PL) manifestou entusiasmo após o governo dos Estados Unidos classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. Em sua conta na rede social X, ele republicou o comunicado do secretário de Estado Marco Rubio e escreveu: ‘Grande dia 👍’. A medida entra em vigor a partir de 5 de junho.
Flávio esteve em Washington na terça-feira (26) e afirmou ter solicitado pessoalmente ao presidente Donald Trump a inclusão das facções na lista de terroristas. O encontro ocorreu em meio a uma queda nas pesquisas de intenção de voto do senador, depois que o site The Intercept Brasil revelou conversas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e dono do Banco Master.
Na quarta-feira (27), Flávio reuniu-se com Rubio, o vice-presidente JD Vance e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Após a reunião, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse à imprensa que a classificação das facções foi o principal tema debatido, tendo recebido sinal positivo de Rubio. Horas depois, o secretário de Estado emitiu o comunicado oficial.
O anúncio ocorreu logo após os encontros em Washington, reforçando discussões sobre crime organizado e narcotráfico na América Latina. A administração Trump já havia indicado em março, durante a Cúpula Escudo das Américas, que pretendia enquadrar as facções como terroristas. O governo brasileiro se opõe à medida, temendo operações militares dos EUA em território nacional.
Em março, o chanceler Mauro Vieira afirmou em comissão do Senado que as facções são organizações criminosas, não terroristas, pois buscam ganhos financeiros, diferentemente de grupos com motivação política. O professor João Amorim, da Unifesp, avaliou que a classificação é compatível com a postura de Trump, que usa o combate ao tráfico para justificar ações militares contra outros países. Ele lembrou que Nelson Mandela foi listado como terrorista pelos EUA até 2008.
O professor Leandro Piquet, da USP, explicou que o enquadramento transfere as investigações do Departamento de Justiça para o Departamento de Defesa, permitindo confisco mais rápido de bens, mais recursos e medidas mais duras, com menos controle institucional. As consequências incluem bloqueio de bens nos EUA, congelamento de ativos financeiros, cancelamento de vistos e possibilidade de ataques militares contra alvos das organizações.
Amorim alertou que o país onde os grupos atuam pode sofrer pressões para desestabilização governamental. Ele destacou que ataques militares violariam a soberania nacional. A classificação também pode complicar as relações bilaterais e ser vista como interferência em assuntos internos, reforçando a percepção de falência da segurança pública brasileira e influenciando o cenário eleitoral.
Fonte: Jovem Pan






















