HAITIANOSHaiti troca Brasil pela seleção e sonha alto na ptimeira Copa em 52 anos

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Após 52 anos de espera, o Haiti está de volta a uma Copa do Mundo. A última participação havia sido em 1974, e desde então os haitianos acompanhavam os torneios torcendo pelo Brasil. Agora, a seleção caribenha, conhecida como Grenadiers, disputará o Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e justamente o Brasil. O confronto contra os brasileiros está marcado para 19 de junho, no Estádio da Filadélfia.

Guerier Lima, de 16 anos, expressa o sentimento de muitos: ‘Meu time favorito é o Brasil, mas meu país está na Copa. O Brasil ficou em segundo plano.’ Ele costumava jogar futebol em ruas esburacadas de Porto Príncipe, usando um tênis e um chinelo, tentando marcar gols entre pedras. Vestia uma camisa da seleção brasileira com o número 10, mas agora sonha em ser como Duckens Nazon, maior artilheiro haitiano. ‘Minha família não tem dinheiro para me colocar em um clube, mas estou tentando entrar de qualquer jeito’, conta.

A empolgação tomou conta do país. Peladas surgem em terrenos poeirentos, e camisas dos Grenadiers são vendidas em cada vez mais esquinas. A fome generalizada, a violência e o avanço das gangues são deixados de lado, temporariamente, enquanto a nação apoia sua seleção. Prophète Ismeus, corretor de 52 anos, não pôde comprar uma camisa de 13 dólares, mas optou por uma pulseira de plástico de 1 dólar nas cores da bandeira haitiana. ‘Estou mostrando meu apoio da melhor forma que posso. Espero que o Haiti vença o Brasil’, afirma.

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Fitho Joseph, vendedor ambulante, disse que deixou de torcer pelo Brasil assim que o Haiti se classificou. ‘Mesmo que uma família tenha dez pessoas, todos deveriam usar uma camisa da seleção’, opina. Wilkerson Daromain, de 33 anos, vê na camisa uma mensagem de esperança: ‘Vestir a camisa é uma mensagem que envio aos Grenadiers que vão lutar por nós. Uma mensagem de que ainda há vida aqui e de que precisamos seguir em frente.’ O grito de guerra ‘Grenadye, alaso!’ — ‘Tropas, ao ataque!’ — ecoa nas ruas, remetendo à revolução que fez do Haiti a primeira república negra do mundo.

Mario Etienne, de 15 anos, será a primeira vez que verá seu país disputar uma Copa. ‘É uma reunião nacional. Se não houver energia elétrica, vou assistir na rua ou na casa de algum amigo.’ Claudy Denis, de 14 anos, pretende fazer o mesmo: ‘Não podemos estar no estádio, mas vamos vê-los pela televisão. Dos três jogos, não vou perder nenhum.’

A paixão pelo Brasil é histórica no Haiti. Muitos se encantaram com a seleção brasileira na Copa de 1982, quando Sócrates, Zico, Falcão e Toninho Cerezo encantaram o mundo. O apoio aumentou em 2004, quando o Brasil liderou uma força de paz da ONU no Haiti e organizou uma partida amistosa. Milhares de haitianos correram ao lado de um comboio blindado que levava craques como Ronaldo e Roberto Carlos até um estádio em Porto Príncipe. Roberto Carlos recorda: ‘Foi impressionante ver pessoas por todo o caminho, do aeroporto até aqui, todos gritando: Brasil! Brasil!’ O Haiti perdeu por 6 a 0, mas os torcedores balançaram bandeiras brasileiras e comemoraram.

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Outro confronto, pela Copa América de 2016, terminou em goleada de 7 a 1 para o Brasil. Agora, a torcida espera um resultado diferente. Yvenson Luxama, vendedor ambulante de 34 anos, diz que o Haiti deve atacar ‘como um tigre’, mas admite que fechará os olhos sempre que o Brasil atacar. Já Jean-Paul Jean Pierre, de 29 anos, está entre os mais de 1,4 milhão de haitianos deslocados pela violência. Vive em um abrigo apertado com a companheira e dois filhos, com dificuldade para alimentá-los. Para ele, a Copa é apenas uma chance de ganhar dinheiro: ‘Estou aqui para ganhar a vida, não para amar nenhum time. Gostaria que houvesse uma Copa todos os anos para eu continuar sobrevivendo.’

Apesar das dificuldades, a esperança renasce. O Haiti enfrenta o Brasil em 19 de junho, e o país inteiro estará unido em torno dos Grenadiers.

Fonte: G1

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