O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à desinformação para atacar a decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas ao Brasil. Em vez de esclarecer os fatos, Lula tentou associar as sanções aos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, chamando-os de ‘traidores’ e sugerindo enforcamento. No entanto, as medidas comerciais resultam de uma investigação iniciada há quase um ano no âmbito da seção 301 do USTR, órgão equivalente ao ministério do Comércio dos EUA, cujo resultado foi divulgado ontem.
Especialistas apontam que a postura do presidente visa melhorar sua imagem nas pesquisas eleitorais de 2025, buscando desviar o foco das reais causas das tarifas. A tentativa de culpar a oposição, segundo analistas, é uma estratégia eleitoreira que pode agravar as relações bilaterais.
Após uma nota oficial ameaçando retaliações, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom conciliador nas redes sociais. Ele defendeu o diálogo e afirmou que ‘os presidentes Lula e Trump continuarão conversando para melhorar as relações comerciais entre os dois países’. A declaração contrasta com o tom belicoso do governo.
O senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores, também priorizou a negociação. ‘Antes de qualquer escalada, o Brasil deve esgotar os caminhos do diálogo’, disse Trad, alertando contra o uso de leis que possam aumentar as tensões com os EUA.
A situação gerou preocupação adicional com a segurança de Flávio Bolsonaro, que já usa colete à prova de balas. Após as declarações de Lula sobre enforcamento, ele foi aconselhado a reforçar sua proteção. Historicamente, discursos de ódio de líderes políticos têm estimulado atentados, como a facada que quase matou o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018. Na América Latina, assassinatos de políticos de direita são recorrentes.
Na Colômbia, o senador Miguel Uribe, forte candidato à presidência, foi morto a tiros em 2025. Ele era opositor de Gustavo Petro, aliado de Lula. No Equador, em 2023, o candidato de direita Fernando Villavicencio foi assassinado em Quito após um comício. Daniel Noboa, que sucedeu Villavicencio, teve seu carro metralhado por facções terroristas, mas escapou ileso.
No plano político doméstico, o pré-candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD) admite uma chapa com Romeu Zema (Novo), mas afirma que a definição ocorrerá apenas perto da convenção, em julho. Zema considera ‘prematuro’ discutir o assunto neste momento.
Amanhã (4) a Lei da Ficha Limpa completa 16 anos. A norma resistiu a ataques do Congresso e do Judiciário, contando com mais de 1,6 milhão de assinaturas de apoio popular.
O deputado Luiz Philippe Orleans e Bragança (PL-SP) criticou o tarifaço dos EUA como ‘duplamente prejudicial’ aos brasileiros, que já sofrem com a má gestão do governo atual.
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul estima que o impacto nas exportações gaúchas pode chegar a US$ 334 milhões. A Farsul alerta que a sobretaxa de 25% afetará 81% das vendas do estado aos EUA.
Há um ano, os EUA atualizaram a recomendação de viagem para americanos no Brasil, incluindo o risco de sequestro. O alerta permanece vigente, evidenciando preocupações com a segurança.
A decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, de anular provas contra a Odebrecht foi citada pelo governo americano como exemplo da fragilidade do Brasil no combate à corrupção. O caso reforça a percepção internacional negativa.
Embora o governo tenha ameaçado usar a Lei de Reciprocidade, Alckmin e outros governistas no Congresso se apressaram em defender o diálogo como primeiro passo, sinalizando uma postura mais moderada.
Aposentados do INSS têm até 20 de junho para contestar descontos associativos fraudulentos. O governo Lula exige que as vítimas do golpe tomem a iniciativa para reaver os valores.
Enquanto isso, na Praça dos Três Poderes, a prioridade são as eleições.
Fonte: O Sul






















