Pesquisadores da Dinamarca encontraram uma conexão entre vírus presentes em uma bactéria intestinal comum e o câncer colorretal. O estudo, divulgado em 7 de fevereiro na revista Communications Medicine, sugere que variações genéticas dentro da espécie Bacteroides fragilis podem esclarecer por que ela é frequentemente detectada em pacientes com esse tipo de tumor.
A investigação não prova que esses vírus provocam a doença, mas indica uma relação que merece estudos mais aprofundados. O câncer colorretal é um dos tumores mais prevalentes globalmente.
Há anos, cientistas notam que a Bacteroides fragilis é frequentemente encontrada em pessoas diagnosticadas com câncer colorretal. O desafio era entender por que a mesma bactéria também faz parte da microbiota intestinal de muitos indivíduos saudáveis.
Para explorar essa questão, os pesquisadores examinaram amostras de Bacteroides fragilis coletadas de pacientes com câncer colorretal e de pessoas sem a doença. Eles aplicaram uma técnica chamada estudo de associação do pangenoma para buscar diferenças genéticas que pudessem separar os dois grupos.
A análise revelou que certas sequências genéticas ligadas a profagos — vírus que se integram ao DNA bacteriano — eram significativamente mais comuns nas amostras associadas ao câncer colorretal. De acordo com os autores, isso sugere que não apenas a presença da bactéria pode ser relevante, mas também os vírus que ela abriga.
Os resultados foram então testados em um conjunto independente de amostras fecais de 877 pessoas da Europa, Estados Unidos e Ásia.
A presença dos profagos relacionados à Bacteroides fragilis foi observada com maior frequência em pacientes com câncer colorretal. A análise mostrou que indivíduos com a doença tinham aproximadamente duas vezes mais chances de carregar os marcadores virais identificados.
Os autores destacam que os achados demonstram uma associação consistente entre os profagos e o câncer colorretal em diferentes populações. Apesar da descoberta, os pesquisadores enfatizam que o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito.
Ainda não está claro se os vírus contribuem para o desenvolvimento do câncer, se favorecem alterações no ambiente intestinal ou se apenas se tornam mais comuns após o surgimento da doença.
Novas pesquisas serão necessárias para esclarecer o papel desses profagos na saúde intestinal e sua possível participação nos mecanismos biológicos relacionados ao câncer colorretal.
Fonte: Metrópoles






















