A primeira rodada de conversações entre Estados Unidos e Irã, prevista para durar 60 dias, gerou dúvidas sobre a efetividade de um cessar-fogo no Líbano. O especialista em Ciências Militares Paulo Filho afirmou, em entrevista, que o cumprimento do pacto enfrenta desafios consideráveis, especialmente devido às posturas de Israel e do Hezbollah.
De acordo com o analista, tanto o grupo libanês quanto o governo israelense não são signatários do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã. Ele destacou a dificuldade de se esperar que essas partes cumpram papéis que não foram negociados por elas diretamente.
Paulo Filho explicou que caberá aos Estados Unidos tentar influenciar Israel, mas ressaltou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta forte pressão política interna. Segundo ele, Netanyahu precisará reagir a qualquer ataque do Hezbollah na região norte do país, o que pode inviabilizar o acordo.
Outro ponto levantado foi a capacidade real do Irã de conter o Hezbollah. O especialista questionou se Teerã tem interesse de fato em interromper os ataques do grupo contra Israel, já que essa disposição é incerta. Ele classificou como um fator complicador relevante o fato de partes diretamente envolvidas no conflito não terem assinado o documento.
O memorando prevê que o cessar-fogo abranja todas as frentes, inclusive o Líbano. Paulo Filho observou que o acordo reproduz uma situação similar à existente em 28 de fevereiro, tornando difícil justificar para a opinião pública internacional e norte-americana que a guerra alcançou algum objetivo político para os Estados Unidos.
“É uma situação que eu acho que ainda vai ser bastante complexa nesses próximos 60 dias”, concluiu o especialista, indicando que o cenário permanece incerto e que as negociações deverão enfrentar desafios significativos para garantir a efetividade do cessar-fogo.
Fonte: CNN Brasil






















