Mais de duas semanas após as eleições presidenciais no Peru, a disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sanches permanece acirrada, com diferença de apenas 40 mil votos. Diante do cenário desfavorável, Sanches, candidato de esquerda, solicitou a anulação dos votos de cidadãos peruanos residentes no exterior.
Segundo Sanches, as cédulas eleitorais enviadas do exterior deixaram de ser contabilizadas nos locais de votação e passaram a ser apuradas em Lima, o que configuraria “grave violação da intangibilidade das normas eleitorais”. O pleito envolve mais de 300 mil votos do exterior, dos quais cerca de 63% são favoráveis a Keiko Fujimori.
Caso os votos externos sejam anulados, Sanches passaria a ter vantagem de 25 mil votos, alterando o resultado final. A solicitação gerou polêmica e acirrou ainda mais o clima político no país.
Keiko Fujimori é figura conhecida no Peru, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país nos anos 1990. Alberto Fujimori, de origem japonesa, foi eleito em 1990, reeleito em 1995 e conquistou um controverso terceiro mandato em 2000. Em 1992, deu um autogolpe com apoio militar, em meio a crise política e conflito com o grupo terrorista Sendero Luminoso.
Durante seu governo, com poderes excepcionais, Alberto Fujimori foi acusado de crimes contra a humanidade, incluindo esterilização forçada de comunidades indígenas. Ele morreu na prisão em 2024.
Já Roberto Sanches é o nome indicado por Pedro Castillo, ex-presidente que governou entre 2021 e 2022. Castillo, de discurso nacionalista de esquerda, era comparado a Hugo Chávez. Seu governo terminou após uma tentativa de golpe de Estado que não teve apoio do Congresso nem das Forças Armadas.
Após a prisão de Castillo, protestos de apoiadores resultaram em confrontos com a polícia. O país passou a ser governado pela vice-presidente Dina Boluarte, que sofreu impeachment em 2025. Seu sucessor, José Jerí, também foi destituído pelo Congresso em apenas quatro meses.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias






















