SOCIEDADESocorristas enfrentam estradas destruídas e réplicas cinco dias após terremoto na Venezuela

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Equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes na Venezuela, cinco dias depois dos fortes terremotos que atingiram o país. O trabalho é prejudicado por estradas danificadas, construções que ameaçam desabar, hospitais superlotados e a dificuldade de acesso às regiões mais castigadas.

O balanço oficial mais recente aponta 1.719 mortos. Cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas, conforme estimativas divulgadas na última atualização das autoridades. Os feridos somam aproximadamente 3,1 mil.

O estado de La Guaira, na costa venezuelana, é o mais afetado. A região foi duramente castigada pelos abalos e teve o acesso controlado pelo governo, que alegou necessidade de organizar a chegada de equipes e facilitar as operações de resgate.

Diosdado Cabello, ministro do Interior, afirmou que a entrada em La Guaira passou a ser feita mediante registro. Segundo ele, a medida visa apoiar os serviços de emergência que atuam na área do desastre.

A restrição gerou críticas do congressista americano Carlos Giménez, que acusou Cabello de dificultar o resgate e a distribuição de ajuda humanitária. Giménez defendeu que a assistência internacional seja encaminhada diretamente à população, para evitar desvios ou uso político.

As acusações não foram confirmadas de forma independente até o momento. Cabello ainda não se manifestou publicamente sobre as declarações do parlamentar.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Cabello em uma barreira, conversando com um socorrista americano. Em dado momento, o profissional pergunta: “Você não quer que eu vá ajudar a pessoa que está lá?”

Além das barreiras burocráticas, as equipes enfrentam obstáculos físicos. Mais de 200 réplicas foram registradas desde os tremores principais, aumentando o perigo para os profissionais e moradores.

A destruição comprometeu o deslocamento. Em áreas mais atingidas, trajetos que antes duravam 30 minutos agora levam de 4 a 5 horas, segundo Fábio Biolchini, coordenador de operações do Médicos Sem Fronteiras (MSF) para a América Latina e Caribe.

“Existem tantos prédios colapsados, tantos bairros que estão inacessíveis, que para você chegar num local onde antes demorava 30 minutos, hoje demora 4 ou 5 horas”, afirmou Biolchini em entrevista.

As buscas ocorrem entre edifícios destruídos e bairros parcialmente isolados. A cada hora, as chances de encontrar pessoas com vida sob os escombros diminuem.

O sistema de saúde venezuelano está “completamente colapsado e sobrecarregado”, segundo o MSF. A rede hospitalar já enfrentava dificuldades antes dos terremotos devido à crise econômica. Com os tremores, parte dos hospitais foi danificada ou teve que interromper atividades por risco estrutural.

A organização aponta falta de medicamentos, materiais hospitalares e insumos para cirurgias de urgência como algumas das principais necessidades.

Outra preocupação é o risco sanitário. A destruição da rede de água, danos ao esgoto e a concentração de pessoas em abrigos provisórios podem favorecer surtos de doenças.

A Força Aérea Brasileira enviou uma aeronave KC-390 Millennium em missão humanitária. O avião transporta uma equipe de busca e resgate urbano de nível pesado, com profissionais da Defesa Civil Nacional, bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Anatel.

Enquanto a ajuda internacional chega ao país, moradores seguem procurando parentes entre prédios destruídos, ruas bloqueadas e hospitais sem capacidade de atender todos os feridos.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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