A partida entre Argentina e Inglaterra, válida pela semifinal da Copa do Mundo, foi classificada pelo FBI como a mais arriscada de todo o torneio. A informação foi divulgada pelo jornal britânico TalkSport, que destacou a recomendação da agência para aumentar o esquema de segurança do confronto marcado para esta quarta-feira (15). Após uma reunião entre representantes da FIFA e autoridades locais, as orientações do FBI foram acatadas.
A rivalidade entre as duas seleções, no entanto, vai muito além do futebol. A origem do atrito remonta a 1833, quando a Inglaterra expulsou a guarnição militar argentina que controlava as Ilhas Malvinas, arquipélago próximo à Antártica que os britânicos chamam de Falklands. Desde então, os argentinos sempre reivindicaram a soberania do território, alimentando um forte ressentimento contra os ingleses.
O conflito armado só veio a ocorrer mais de um século depois, em 1982. A junta militar argentina, em crise e buscando melhorar a moral popular, decidiu invadir as ilhas. O governo acreditava que não haveria retaliação, já que a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher enfrentava dificuldades econômicas. No entanto, o cálculo político se mostrou equivocado: os ingleses reagiram e, após 74 dias de combate, derrotaram os argentinos.
A guerra deixou feridas profundas na sociedade argentina. Até hoje, a população guarda pouca simpatia pelos britânicos. Esse contexto histórico transformou todos os duelos entre as seleções em algo carregado de emoção e rivalidade.
O primeiro grande encontro no futebol após o conflito ocorreu em 1986, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Para os argentinos, a partida era uma chance de demonstrar o ressentimento pela derrota militar. Foi nesse jogo que Diego Maradona entrou para a história, marcando dois gols antológicos.
O primeiro deles ficou conhecido como “a mão de Deus”. Maradona desviou a bola com o punho, em um lance não percebido pelo árbitro. Pouco depois, ele fez o segundo, considerado um dos mais bonitos da história das Copas: driblou meio time inglês e balançou as redes. Gary Lineker ainda descontou para os britânicos, mas a Argentina venceu por 2 a 1 e seguiu para o título.
Mais de 20 anos depois, Maradona admitiu em seu programa de televisão que usou a mão no primeiro gol. “Pela primeira vez vou dizer que fiz o gol com a mão… Eu não alcançaria a bola com a cabeça, tive que fazer um esforço, colocar o punho para ver se passava”, declarou.
A rivalidade continuou forte nos anos seguintes. Em 1998, as seleções se enfrentaram novamente em uma Copa, com vitória argentina. Mesmo assim, a memória de 1986 segue viva. Para o confronto desta quarta-feira, a Associação do Futebol Argentino (AFA) recorreu a uma superstição ligada àquele ano.
A AFA solicitou à FIFA que autorizasse o uso do segundo uniforme da Argentina, na cor azul escura. O pedido foi feito há menos de 48 horas e prontamente aceito pela federação. A escolha da camisa reserva tem um peso simbólico importante: ela está associada à vitória sobre a Inglaterra em 1986, quando a Argentina também usou o uniforme azul.
Com a segurança reforçada e a carga histórica e emocional do confronto, Inglaterra e Argentina prometem um duelo eletrizante dentro e fora de campo. As autoridades americanas não pouparam esforços para classificar a partida como a mais perigosa do mundial, mas os torcedores esperam que o espetáculo fique restrito ao gramado.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias

























