Fundada em 1997 na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, a empresa que hoje se tornou a maior marca brasileira de energéticos começou sua história de forma bem distinta. Na época, a companhia, então chamada Bebidas Grassi, dedicava-se à produção de vinhos e cachaças, um negócio tradicional na região Sul do estado.
Quase três décadas depois, a Baly Brasil não apenas mudou de nome, mas também de segmento. A empresa passou a ser conhecida nacionalmente por seus energéticos e agora ocupa a segunda posição no mercado brasileiro, ficando atrás apenas da multinacional Red Bull. A trajetória inclui exportações para nove países e planos ambiciosos de expansão.
O ponto de virada ocorreu em 2004, quando a indústria conseguiu adquirir um equipamento que permitiu o início da produção de refrigerantes. Esse movimento foi o primeiro passo para uma diversificação que mudaria completamente o rumo dos negócios. Poucos anos depois, em 2009, a empresa lançou seu primeiro energético, apostando em um formato inusitado para a época: garrafas PET.
Naquele momento, a maioria das marcas de energéticos utilizava latas de alumínio, mas a Baly optou por um caminho diferente. O objetivo era oferecer um produto mais acessível ao consumidor brasileiro, democratizando o consumo da bebida. A estratégia, segundo a própria fabricante, foi pensada para popularizar o energético no país, e os resultados não demoraram a aparecer.
Em 2012, a marca alcançou a liderança em vendas de energéticos na Região Sul, consolidando sua posição no mercado. O crescimento continuou ao longo dos anos, impulsionado pela diversificação do portfólio, pela expansão da distribuição e por investimentos constantes em inovação.
Apesar do sucesso dos energéticos, a empresa nunca abandonou suas origens nas bebidas alcoólicas. Atualmente, o portfólio da Baly inclui vodkas da linha Intencion, cachaças como Caninha 81 e Caninha Tonturinha, o destilado Master Gold, a bebida cremosa Marula e a cerveja Baly Bier Pilsen Puro Malte.
Foi justamente no segmento cervejeiro que a empresa conquistou um reconhecimento internacional importante. Em 2017, a Baly entrou oficialmente no mercado de cervejas e, no ano seguinte, recebeu um prêmio no World Beer Awards, uma das premiações mais respeitadas do setor em todo o mundo.
A partir de 2018, a companhia passou por uma reformulação em sua gestão, adotando uma cultura organizacional focada em inovação, agilidade e maior proximidade com consumidores e clientes. Essa mudança interna foi fundamental para acelerar o ritmo de crescimento nos anos seguintes.
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a fabricante manteve suas operações e ainda colaborou com a produção de álcool para atender à demanda emergencial. Esse período também foi marcado pela ampliação da presença da marca nos pontos de venda, o que ajudou a impulsionar os resultados.
Os números mostram a dimensão do crescimento. Em 2023, a Baly registrou um aumento de 43% nas vendas e alcançou 26,6% de participação no mercado brasileiro de energéticos. Com esse desempenho, a empresa se consolidou como a maior marca nacional da categoria, superando concorrentes tradicionais.
Agora, a companhia busca repetir o movimento de diversificação que fez no passado. A mais recente aposta é a entrada no mercado de bebidas wellness, voltado para consumidores que priorizam opções mais saudáveis. Para isso, a Baly adquiriu participação na Original Ginger, marca de refrigerantes zero açúcar elaborados com extrato natural de gengibre.
Com o investimento, a produção e a distribuição da Original Ginger passam a ser realizadas pela Baly em todo o território nacional. A iniciativa acompanha uma tendência global de crescimento do setor de bem-estar, que vem ganhando cada vez mais espaço entre os consumidores brasileiros.
No campo internacional, a empresa também acelera sua expansão. Além de atuar em países como Paraguai, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, México, Chile, Bolívia e Suriname, a marca iniciou recentemente as primeiras exportações para a Europa. A Grécia foi escolhida como porta de entrada no continente europeu.
Segundo a diretora de Marketing e Comercial da Baly, Dayane Titon Cardoso, a internacionalização faz parte de uma estratégia mais ampla de transformar a empresa em uma referência global. Ela destaca que os clientes costumam comparar a marca à Coca-Cola dos energéticos, um reflexo do reconhecimento que a empresa vem conquistando no mercado.
Para sustentar esse crescimento, a Baly está investindo R$ 300 milhões na construção de uma nova fábrica em Araranguá, também no Sul catarinense. A unidade terá cerca de 100 mil metros quadrados, deve iniciar a produção no segundo semestre deste ano e gerar aproximadamente mil empregos diretos na região.
As perspectivas para o futuro são otimistas. A empresa projeta encerrar 2026 com um faturamento de R$ 2,5 bilhões, um salto significativo em relação aos R$ 1,8 bilhão registrados em 2025, ano em que cresceu 45%. Atualmente, a Baly emprega cerca de 1,5 mil colaboradores diretos e aposta na diversificação do portfólio e na expansão internacional para continuar acelerando seu crescimento.
A história da Baly Brasil é um exemplo de como uma empresa pode se reinventar e encontrar novos caminhos de crescimento, mesmo partindo de origens modestas. De uma pequena produtora de vinhos e cachaças no interior de Santa Catarina, a companhia se transformou em um dos principais nomes do mercado brasileiro de bebidas, levando sua energia para o mundo.
Fonte: NSC Total

















