O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, declarou nesta quinta-feira (20) que considera superada a controvérsia em torno do financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que a prestação de contas da produção já foi realizada, sem, no entanto, apresentar números ou esclarecer os gastos.
A declaração foi dada durante uma visita a uma comunidade na região de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, após ser questionado por jornalistas da CNN Brasil sobre o assunto. Flávio evitou detalhar os valores recebidos, as despesas da produção ou o destino dos recursos, limitando-se a dizer que o processo já foi concluído.
“Olha, já aconteceu. Inclusive eu vi a própria prestação de contas que foi feita do filme, foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho”, afirmou o senador, acrescentando que quem precisa dar explicações seria o presidente Lula (PT) e seu filho, citando supostas articulações envolvendo o Banco Central e o Banco Master.
Flávio voltou a atacar o governo petista, chamando-o de “o governo mais corrupto e incompetente da história do Brasil” e insistindo que “na nossa parte está tudo, página virada”. A fala ocorre em meio a uma disputa acirrada pela sucessão presidencial.
Em maio, o senador havia afirmado à CNN que estava “100% disposto” a divulgar o contrato do financiamento do longa, dizendo que os recursos recebidos de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, foram integralmente aplicados na produção. Na ocasião, ponderou que a liberação dependeria de regras de compliance de um fundo privado situado nos Estados Unidos.
Dias depois, Flávio comunicou que havia solicitado à produtora Go Up Entertainment um detalhamento das despesas, prometendo transparência e estipulando um prazo de 30 dias para a apresentação dos dados. A promessa, no entanto, não foi cumprida publicamente até o momento.
Em junho, uma perícia privada contratada pela defesa da produtora estimou o custo do filme em cerca de R$ 75 milhões, somando gastos no Brasil e nos Estados Unidos. O laudo apontou que os aportes vieram do Havengate Development Fund, com sede nos EUA, mas não identificou os financiadores por trás do fundo.
Apesar da versão do senador, o caso Dark Horse segue sob investigação. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a instaurar inquérito para apurar os repasses de Vorcaro à produção, que podem somar R$ 61 milhões. A investigação corre em sigilo.
O inquérito busca rastrear a origem dos recursos e verificar se houve irregularidades nos pagamentos ou algum tipo de contrapartida ligada a Flávio. O filme, que ainda não foi lançado, tornou-se um dos principais pontos de vulnerabilidade do senador na pré-campanha.
Nos bastidores, a campanha avalia que o momento atual é mais favorável ao candidato, com Flávio se aproximando de Lula nas pesquisas de intenção de voto. A crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é considerada superada pelo entorno do senador.
Por essa razão, a estratégia adotada é minimizar o episódio do Dark Horse e atribuir a prestação de contas à produtora, afirmando que ela já foi realizada, ainda que não tenha sido tornada pública. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL), também vem adotando o mesmo discurso em Brasília.
A postura de Flávio contrasta com a promessa anterior de transparência e reforça o desconforto em relação ao tema, que pode voltar a ganhar destaque durante a corrida eleitoral. A expectativa é de que novas revelações surjam ao longo da investigação policial.
Fonte: CNN Brasil
























