Filme com criança LGBT pode representar o Brasil no Oscar
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CINEMAFilme com criança LGBT pode representar o Brasil no Oscar 2027

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O filme “Feito Pipa” está cotado para ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar de 2027. A produção já acumula prêmios importantes: conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme no Festival de Berlim e levou cinco Kikitos no Festival de Gramado.

A trama acompanha Gugu, um menino LGBT que mora no sertão cearense com a avó. Quando ela começa a mostrar sinais de Alzheimer, o garoto tenta esconder a doença para não ter que ir morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos, que rejeita o comportamento afeminado do filho.

O longa aparece entre os seis finalistas selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na premiação internacional. O nome escolhido será divulgado no dia 16 de setembro.

De acordo com o diretor Allan Deberton, a intenção do filme é romper com as barreiras que ainda existem quando se trata da sexualidade infantil. “É um cinema que eu quero fazer, que busca alcançar o público e contar histórias relevantes. Foi um projeto difícil de realizar, pois por muito tempo senti que o mercado ainda encarava o tema da infância queer como tabu”, afirmou.

O termo queer, usado pelo diretor para descrever a tendência do personagem, significa algo como “estranho” ou “esquisito” em inglês. Originalmente, essa expressão era usada de forma pejorativa para se referir a homossexuais, mas foi ressignificada pela teoria de gênero para designar qualquer pessoa que não se encaixa nos padrões heterossexuais de homem e mulher.

Uma das principais correntes teóricas sobre o assunto é a “Teoria Queer”, que tem como uma de suas principais pensadoras a autora Judith Butler. Para Butler, as pessoas não expressam um gênero que já existe dentro delas; ao contrário, aprendem padrões e comportamentos que são repetidos ao longo da vida. Ela compara esse processo à atuação de um ator em cena, e é assim que a sociedade reconhece o masculino ou o feminino.

“A performance é importante nesse sentido porque nós efetivamente encenamos quem somos, e qualquer pessoa que estuda performance sabe que existem performances que realizamos em nossas vidas que não são mera representação, não são falsas”, explica Butler.

Apesar de ser frequentemente apontada como criadora da ideologia de gênero, Judith Butler rejeita essa descrição. Segundo ela, existem muitas teorias sobre gênero e seu trabalho representa apenas uma delas.

A própria ideia de gênero tem um criador: o médico neozelandês John Money. Até meados do século XX, a palavra “gender” era usada quase exclusivamente na gramática para classificar substantivos como masculinos, femininos ou neutros. Foi Money quem levou esse termo para a medicina. O historiador Vern Bullough explica que, em 1955, Money adotou a palavra “gênero”.

Um dos principais problemas para as teorias de Money dentro da comunidade científica da época era que elas não podiam ser testadas experimentalmente. O cenário mudou com o caso da família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, mas um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão malsucedida. Desesperados, aceitaram seguir o conselho do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência foi catalogada como um sucesso, mas a verdade é bem mais sombria. Coube ao pesquisador e rival de John Money, Dr. Milton Diamond, expor o que realmente aconteceu. Essa história está sendo contada pela Brasil Paralelo em seu novo filme “O Menino que se Chamava Brenda”. Assista ao trailer completo abaixo.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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