O duelo entre as seleções do Brasil e do Marrocos passou por uma transformação significativa ao longo dos anos. O que antes era um histórico amplamente favorável ao Brasil tornou-se um confronto que exige atenção redobrada. Durante décadas, o Brasil dominou os encontros com os marroquinos, mas esse cenário já não se sustenta com a mesma segurança.
Os confrontos entre as equipes eram raros, geralmente ocorrendo em amistosos ou competições internacionais como a Copa do Mundo. A expectativa era quase sempre de vitória brasileira, dada a superioridade técnica e a tradição da seleção canarinho. O adversário africano era visto como acessível, dentro de um roteiro previsível.
Um exemplo dessa facilidade ocorreu no primeiro confronto oficial entre as seleções, na França, durante a Copa do Mundo de 1998. O Brasil venceu por 3 a 0, com gols de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto, em partida válida pela fase de grupos.
No entanto, esse cenário começou a mudar gradualmente, impulsionado pela evolução do futebol marroquino nos últimos anos. Investimentos em formação de atletas e a presença de jogadores em ligas europeias, como Hakimi, do Paris Saint-Germain, deram maior visibilidade e experiência à equipe.
Além disso, uma identidade tática sólida implementada pelo técnico Walid Regragui, desde a Copa do Mundo de 2022, transformou o Marrocos em um adversário competitivo, agora sob o comando de Mohamed Ouahbi. Até recentemente, o retrospecto seguia amplamente favorável ao Brasil.
A mudança definitiva no histórico veio em 2023, em um amistoso disputado em Tânger, no Marrocos. O que parecia improvável aconteceu: o Marrocos venceu o Brasil por 2 a 1, com gols de Boufal e Sabiri. Casemiro descontou para a equipe brasileira.
Com essa vitória, a seleção africana quebrou um tabu histórico ao conquistar seu primeiro triunfo sobre o Brasil, elevando ainda mais o status de uma equipe que já havia alcançado as semifinais da Copa do Mundo de 2022. Desde então, o confronto ganhou novos contornos e carrega um peso simbólico, quase como um fantasma para a seleção brasileira.
Revisitar esse histórico hoje é compreender a virada de cenário e a mudança de forças entre as duas seleções. O que antes era sinônimo de controle brasileiro agora representa um alerta para a estreia na Copa do Mundo de 2026. Enfrentar o Marrocos significa lidar com um adversário consolidado, capaz de competir em alto nível e de repetir surpresas.
O confronto de 2023 foi o primeiro jogo do Brasil após a saída de Tite, após o fracasso na Copa de 2022. O técnico interino Ramon Menezes comandou a equipe, que começou o ciclo de 2026 com o pé esquerdo.
Na partida, a seleção brasileira cometeu erros que resultaram na desvantagem. Aos 28 minutos, Emerson Royal saiu jogando errado na defesa, e Boufal, após tabela, girou sobre Casemiro e bateu no canto do goleiro Weverton para abrir o placar.
Na segunda etapa, o Brasil se lançou ao ataque e conseguiu o empate com uma falha do goleiro marroquino Bono. Lucas Paquetá roubou a bola e tocou para Casemiro, que chutou fraco, e o goleiro aceitou. Quatro minutos depois, parte da iluminação do estádio caiu, e o jogo foi paralisado por quatro minutos.
Aos 33 minutos, o Brasil sofreu o segundo gol em mais um erro. Éder Militão passou a bola para Antony, que não dominou e perdeu para o adversário. O lateral cruzou para a área, e Sabiri bateu forte para marcar.
No único confronto oficial entre as equipes em Copas do Mundo, em 1998, o Brasil venceu por 3 a 0, gols de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto, em jogo da fase de grupos.
No geral, são apenas três confrontos no histórico. O Brasil venceu duas vezes e foi derrotado uma vez, no amistoso de 2023. Fortalecido pelas semifinais da Copa de 2022 e pelas conquistas do Mundial sub-20 de 2025 e da Copa Africana de Nações de 2026, o Marrocos desafia o Brasil mais uma vez em um Mundial.
Fonte: ND+























