A campanha presidencial ganhou um novo ingrediente com as revelações que envolvem o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um relatório sobre o caso Master. Tanto aliados de Flávio Bolsonaro (PL) quanto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já articulam respostas ao episódio, cada um com objetivos distintos.
No entorno do candidato do PL, a avaliação é de que o material dá munição para intensificar as críticas ao magistrado e à Corte. A ideia é transformar o desgaste em votos para senadores alinhados à direita, buscando uma maioria que possa viabilizar futuros pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Segundo pessoas próximas a Flávio, a mensagem central a ser transmitida ao eleitor é que somente a eleição de um presidente de direita não basta para mudar a relação de forças com o Judiciário. Seria preciso também conquistar cadeiras no Senado para aprovar pautas como o afastamento de magistrados.
Historicamente, pedidos de impeachment contra integrantes do STF não avançaram, pois dependem de aprovação do presidente da Casa. Com uma bancada mais robusta, os oposicionistas acreditam que aumentaria a pressão política sobre essa decisão, dificultando que o tema seja simplesmente arquivado.
Nesta terça-feira (1º), um novo ofício solicitando o afastamento de Moraes foi protocolado, somando-se aos já existentes. Em paralelo, Flávio e seus correligionários passaram a defender publicamente a renúncia do ministro de seu cargo no tribunal.
Do outro lado, a estratégia petista é a de manter o discurso de que as apurações devem ocorrer sem interferências, mesmo que atinjam aliados. Integrantes da campanha afirmam que Lula garante autonomia à Polícia Federal para conduzir as investigações, inclusive aquelas que envolvem seu círculo próximo.
Ao mesmo tempo, a equipe de Lula busca utilizar a quebra de sigilo no caso Moraes para pressionar o ministro André Mendonça, relator de outros processos, a adotar medida semelhante. A intenção é expor o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, no qual Flávio teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro para a produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conselheiros recomendam que o ex-presidente Lula não se envolva diretamente no confronto entre os ministros Mendonça e Moraes, classificando-o como uma disputa interna do Poder Judiciário. Um posicionamento público, argumentam, poderia gerar atritos com Mendonça, que conduz apurações contra o filho de Lula, Fábio Luiz.
Apesar disso, no PT há a compreensão de que o caso deve repercutir nas eleições, energizando a retórica oposicionista contra o Supremo. A avaliação interna é de que será difícil isolar completamente o impacto do episódio no cenário político.
Fonte: CNN Brasil


























