SAÚDEChoque térmico causa paralisia facial? Especialistas explicam mito e realidade

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A ideia de que sair de um banho quente e enfrentar ar frio provoca paralisia facial é um mito popular sem respaldo científico. A alteração brusca de temperatura, por si só, não é capaz de imobilizar o rosto de uma pessoa saudável. Na prática clínica, o que ocorre é a chamada paralisia de Bell, uma inflamação aguda do nervo facial que, ao inchar dentro do canal ósseo estreito do crânio, interrompe a transmissão de sinais para os músculos da face, resultando em fraqueza temporária de um lado do rosto.

Os sintomas surgem de forma repentina, geralmente piorando em poucas horas ou de um dia para outro. Muitos pacientes acordam com o problema e percebem a assimetria ao se olhar no espelho. Os sinais mais comuns incluem dificuldade para fechar completamente um dos olhos, sensação de que o canto da boca está caído, o que atrapalha sorrir e beber, dor leve atrás da orelha no lado afetado, alterações no paladar, especialmente na ponta e laterais da língua, hipersensibilidade a sons em um ouvido e ressecamento ou lacrimejamento excessivo no olho que não consegue piscar.

Apesar de mitos populares atribuírem a paralisia a correntes de ar frio, a origem real está relacionada ao sistema imunológico. Na maioria dos casos, o problema é desencadeado pela reativação de vírus latentes no organismo, como o herpes simples, que atacam o nervo facial. O vento gelado sozinho não causa a doença; atua como gatilho em pessoas já vulneráveis. Mudanças extremas de temperatura sobrecarregam o corpo e podem reduzir a imunidade rapidamente, criando ambiente propício para o vírus se reativar e inflamar o nervo. Estresse emocional intenso, excesso de trabalho e falta de sono também são fatores de risco significativos.

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O principal temor de quem sofre paralisia facial é confundir o quadro com um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Por isso, o diagnóstico médico visa primeiro descartar causas neurológicas graves. Durante o exame, o médico pede que o paciente faça expressões como sorrir, franzir a testa, fechar os olhos com força e mostrar os dentes.

Na paralisia de Bell, toda a metade do rosto fica imóvel, da testa ao queixo. Já no AVC, a assimetria facial costuma vir acompanhada de fraqueza em braços ou pernas e confusão mental, sinais que o médico busca ativamente. O exame clínico geralmente é suficiente para o diagnóstico; exames de imagem complexos são reservados para casos com dúvidas ou suspeita de tumores.

A recuperação depende muito do tempo e da biologia humana. Mais de 80% dos pacientes se recuperam totalmente sem sequelas. O tratamento inicial visa reduzir a inflamação do nervo o mais rápido possível para evitar danos permanentes. Para isso, são prescritos anti-inflamatórios potentes e antivirais nos primeiros dias.

Além da medicação, proteger o olho afetado é urgente. Como a pálpebra não pisca, a córnea fica exposta a impurezas, aumentando o risco de úlceras e problemas de visão. Recomenda-se usar colírios lubrificantes durante o dia e vedar o olho com fita adesiva hipoalergênica à noite. Na fase de recuperação, fisioterapia e exercícios faciais ajudam a reeducar os músculos para que as expressões voltem ao normal.

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A perda súbita dos movimentos faciais é uma emergência médica que exige avaliação imediata em um pronto-socorro. Não se deve esperar o sintoma passar sozinho nem recorrer a tratamentos caseiros. O sucesso da reabilitação depende do controle da inflamação nas primeiras horas após o início dos sintomas.

Esta reportagem tem caráter educativo e não substitui a consulta com neurologista ou clínico geral para diagnóstico preciso.

Fonte: Jovem Pan

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