MATERNIDADEEntre bisturis, afetos e recomeços: o que aprendi sendo mãe e médica

A cirurgiã vascular Andréa Klepacz reflete sobre os desafios e transformações ao conciliar a carreira médica com a maternidade, destacando a importância da resiliência e da empatia.

publicidade

Ser mãe e médica nunca foi simples. E talvez nunca precise ser. Ao longo da minha trajetória, aprendi que conciliar essas duas dimensões não é sobre perfeição, mas sobre construção diária. Hoje, grávida de oito meses da minha terceira filha, vivendo intensamente essa fase, percebo o quanto tudo isso é desafiador e profundamente transformador.

Se por um lado a experiência traz mais segurança, por outro, a rotina se torna mais exigente. Duas filhas, uma carreira estruturada, compromissos que não param. Ainda assim, existe algo de mais sereno agora. Com o tempo, a gente aprende a encontrar um certo equilíbrio, onde as coisas passam a fazer mais sentido, mesmo dentro do caos.

Quando a vida ensina a abrir mão do controle

Sempre fui uma pessoa muito focada, acostumada a planejar cada passo. A medicina nos conduz por esse caminho de controle e previsibilidade. Mas a maternidade chega como um lembrete de que nem tudo segue o roteiro. Cada gestação é única. Cada filho é único. E, por mais que a gente se prepare, existe sempre algo que foge do planejado. Aprendi que está tudo bem. Que a vida acontece no meio do inesperado. Abrir mão do controle não é fraqueza, mas maturidade. Hoje entendo que a maternidade é um exercício constante de resiliência.

Leia Também:  Revalida: candidatos já podem consultar local da prova prática

O olhar que muda – dentro e fora do consultório

Ser mãe mudou a forma como enxergo minhas pacientes. A empatia ganha uma dimensão diferente. A escuta se torna mais sensível. As histórias deixam de ser apenas relatos clínicos e passam a ter camadas mais profundas. Durante os atendimentos, continuo muito focada, mas, especialmente com outras mulheres, a conversa encontra um caminho comum: a maternidade. Ali acontece uma troca genuína, que vai além da medicina. Nesse encontro, percebo o quanto nossas experiências nos conectam.

Entre medos reais e emoções silenciosas

Às vésperas do parto, meu olhar ainda é, em parte, o de médica. Penso na saúde, no bom andamento do processo. Mas existe um outro lado mais emocional, que se manifesta quando penso na chegada da minha filha, em maio, no mês das mães. É impossível não sentir um profundo senso de realização. Olho para trás e vejo tudo o que foi vivido: as outras gestações, os desafios, os aprendizados. E sinto gratidão. Ser mãe e médica é isso: um equilíbrio entre responsabilidade e afeto, entre técnica e sensibilidade, entre razão e entrega.

Leia Também:  Como a astrologia molda o perfil materno e melhora a relação familiar

Dra. Andréa Klepacz – CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgiã vascular
Membro da Brazil Health

Fonte: Jovem Pan

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

RELACIONADAS