ARTICULAÇÃO CONSERVADORAFilhos de Bolsonaro se reúnem com núcleo dos EUA para América Latina

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Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro voltaram a ser protagonistas de articulações políticas em Washington. Nesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro participarão de reuniões ligadas ao setor que define a política dos Estados Unidos para a América Latina. O movimento ocorre em um contexto de estreitamento de laços entre aliados da família Bolsonaro e membros do governo de Donald Trump.

No dia anterior, Flávio se encontrou reservadamente com o presidente Trump na Casa Branca. De acordo com o senador, a conversa abordou segurança pública, combate ao crime organizado, exploração de minerais estratégicos e o cenário político brasileiro. Trump também teria perguntado sobre a situação de Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe após as eleições de 2022.

A agenda desta quarta inclui contatos com integrantes do Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão do Departamento de Estado que coordena a política americana para a América Latina e o Caribe. Um dos principais nomes no encontro é Michael Kozak, diplomata experiente que atualmente chefia interinamente a área. Kozak é conhecido por sua longa trajetória em negociações delicadas envolvendo democracia, segurança regional e crises políticas na região.

Outro nome de peso é Christopher Landau, atual número dois da diplomacia americana e ex-embaixador no México durante o primeiro governo Trump. Landau ganhou influência na Casa Branca por sua atuação em temas como imigração, controle de fronteiras e segurança regional. Nos bastidores, ele é visto como um operador político-diplomático pragmático, com acesso direto ao núcleo do governo Trump.

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A movimentação dos irmãos Bolsonaro é acompanhada com preocupação por assessores do governo Lula. O Palácio do Planalto avalia que aliados do ex-presidente estão tentando ampliar seu apoio dentro da ala mais conservadora do governo Trump, em um momento crucial para as eleições brasileiras deste ano.

Nos últimos meses, Eduardo Bolsonaro intensificou viagens internacionais e encontros com representantes conservadores nos Estados Unidos, Israel e Oriente Médio. Já Flávio busca consolidar sua pré-candidatura à Presidência do Brasil em 2026, após receber apoio público do pai. A presença frequente dos filhos de Bolsonaro em Washington indica que a aliança entre o bolsonarismo e setores do trumpismo continua ativa e pode influenciar a disputa política brasileira nos próximos meses.

Christopher Landau, como vice-secretário de Estado, é uma das figuras mais influentes da diplomacia americana. Antes disso, foi embaixador no México durante o primeiro governo Trump, onde lidou diretamente com questões de migração, fronteira e influência chinesa. Ele é descrito como menos ideológico que outros nomes trumpistas, focado em negociações entre governos e com forte acesso à Casa Branca.

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Michael Kozak, por sua vez, é um diplomata de carreira. Desde janeiro de 2025, comanda interinamente o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Sua trajetória inclui negociações com o regime de Manuel Noriega no Panamá, atuação em Cuba, passagem pela embaixada em Belarus, trabalho em áreas de democracia e direitos humanos, e participação no Conselho de Segurança Nacional. Ele é visto como um ‘fixer’, chamado para crises e negociações complexas.

As reuniões desta quarta-feira marcam mais um capítulo na aproximação entre a família Bolsonaro e o governo Trump. Analistas em Washington acreditam que a presença constante dos filhos do ex-presidente na capital americana reforça os laços entre os dois grupos políticos, o que pode ter impactos nas eleições brasileiras.

Enquanto isso, o governo Lula monitora a situação de perto. A avaliação é que os bolsonaristas buscam apoio internacional para fortalecer sua posição no cenário político doméstico. O encontro com Kozak e Landau é visto como estratégico para consolidar essa rede de contatos.

Fonte: Jovem Pan

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