O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, na última quinta-feira (28), a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A decisão provocou reações divergentes entre parlamentares brasileiros, com a oposição elogiando a medida e governistas alertando para possíveis impactos negativos ao país.
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, emitiu nota afirmando que o crime organizado precisa ser combatido e que a cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em áreas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Contudo, ressaltou que usar o tema como justificativa para intervenção externa é inaceitável.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), atribuiu a classificação a uma articulação da extrema-direita, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro buscam no exterior o que perderam no Legislativo nacional.
Uczai declarou que a família Bolsonaro presta um desserviço ao Brasil ao incentivar sanções e pressões estrangeiras. Ele citou que, após reivindicar tarifas e entregar riquezas nacionais, agora avançam sobre a segurança pública, usando o crime organizado para submeter o país ao comando de Donald Trump.
O deputado alertou que a classificação pode gerar consequências financeiras graves, como fuga de investimentos, sanções e bloqueio de ativos. Ele explicou que instituições financeiras, bancos e empresas acusados de lavar dinheiro para as facções podem contaminar todo o sistema financeiro brasileiro.
Na avaliação de Uczai, a medida ameaça milhões de pessoas que vivem em áreas dominadas pelo crime, prejudica a cooperação penal internacional e abre espaço para ações extraterritoriais ou até armadas contra o Brasil. Ele defendeu o combate firme ao PCC e ao CV, mencionando o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) usou o X para criticar a classificação, chamando-a de ataque à soberania brasileira e de consequência negativa para a economia e investimentos. Ele afirmou que as facções estão sendo combatidas pelo governo Lula, com operações da Polícia Federal e da Receita Federal que asfixiam financeiramente o crime.
Farias acusou Eduardo e Flávio Bolsonaro de serem irresponsáveis e de quererem vulnerabilizar o Brasil para permitir intervenção militar dos EUA. Ele escreveu que os filhos do ex-presidente desejam transformar o país em uma colônia.
Em contraponto, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), comemorou a decisão. Em publicação no X, ele disse que a quinta-feira foi um grande dia para quem defende lei e ordem, e péssimo para quem relativiza o crime. Afirmou que a população não quer criminosos com proteção política, mas sim facções combatidas e criminosos presos.
Cavalcante ainda declarou que Lula fracassou ao tentar convencer os EUA de que PCC e CV não deveriam ser tratados como terroristas. Ele disse que Trump chamou as coisas pelo nome, pois quem domina territórios e espalha medo não age como vítima.
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança de São Paulo e pré-candidato ao Senado, afirmou que a classificação mostra a dimensão global do problema. Ele criticou o governo Lula por tratar a segurança como tema secundário, enquanto o mundo reconhece a gravidade das facções.
Derrite disse que foi necessária a articulação de um pré-candidato à presidência, já que Lula não trouxe avanços na Casa Branca. Ele defendeu um enfrentamento mais rígido e afirmou que o Brasil precisa parar de passar pano para criminosos.
O senador Flávio Bolsonaro, em publicações no X, chamou o anúncio de grande dia. Em vídeo, falou sobre sua viagem aos EUA e o encontro com Trump na terça-feira (26), no qual pediu a classificação das facções.
Fonte: Jovem Pan





















