MUDANÇA ESPERADAKeir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

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Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista, encerrando o primeiro governo não conservador em Londres em mais de dez anos e um dos mandatos mais breves do século.

O ex-procurador-geral, que assumiu o poder em julho de 2024 com a promessa de reconstrução e reformas econômicas e sociais, deixa o cargo com altos índices de desaprovação e um legado ainda incerto.

Starmer chegou ao Número 10 de Downing Street após liderar um processo de reforma interna no Partido Trabalhista, movendo a legenda para o centro político. Sua vitória interrompeu 14 anos de governos conservadores, mas a margem estreita de vantagem foi rapidamente corroída por estagnação econômica, tensões geopolíticas e controvérsias, como a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, devido a seus vínculos com Jeffrey Epstein.

A impopularidade do governo ficou evidente nas eleições locais de maio, quando o Partido Trabalhista sofreu grandes perdas para conselhos distritais e prefeituras. O pleito também revelou fragmentação política, com o crescimento da extrema direita Reform UK, cujo líder Nigel Farage pediu eleições parlamentares antecipadas após a renúncia de Starmer.

O futuro da liderança trabalhista deve ser decidido pela maioria do partido, com o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, emergindo como favorito. Recentemente eleito deputado por Makerfield em uma eleição suplementar, Burnham recebeu apoio de outras lideranças e já está a caminho de Londres para consolidar sua candidatura.

Em declaração à imprensa, Burnham agradeceu a Starmer por sua liderança e confirmou que disputará a sucessão, classificando o processo como uma transição. Ele prometeu estabilidade, seriedade e foco em crescimento econômico, custo de vida e serviços públicos, afirmando que o movimento trabalhista é mais forte quando olha para o futuro com confiança.

Caso consiga apoio suficiente para evitar uma disputa, Burnham pode assumir o cargo em 17 de julho, antes do recesso parlamentar de verão. Starmer informou que o Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista abrirá indicações em 9 de julho, com conclusão prevista para 16 de julho.

Se confirmado, Starmer terá o terceiro mandato mais curto entre primeiros-ministros britânicos do século, superando apenas Rishi Sunak (1 ano e 255 dias) e Liz Truss (50 dias).

Apesar da baixa popularidade e da perda de confiança do partido, Starmer recebeu apoio de aliados ao anunciar a renúncia. A secretária de Finanças Rachel Reeves destacou que ele reverteu a pior derrota trabalhista da história moderna e garantiu a vitória em 2024.

O vice-premier David Lammy citou entre as conquistas a estabilidade econômica, a redução das filas do NHS, a limitação do acesso de menores a redes sociais e a reaproximação com a Europa. Segundo ele, Starmer recolocou o Reino Unido no centro da Europa, apoiou firmemente a Ucrânia e reconstruiu relações com aliados.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também elogiou Starmer por fortalecer a segurança europeia e ucraniana, afirmando que ele se tornou um estadista em apenas dois anos.

No entanto, muitas questões permanecem sem solução no Reino Unido, alimentando a insatisfação. Os salários mal acompanharam o aumento dos preços, e indicadores apontam que é improvável que o país atinja a meta de construir 1,5 milhão de novas moradias para suprir a carência habitacional.

O crescimento econômico gira em torno de 1%, com previsões do Fundo Monetário Internacional de que pode ser ainda menor devido às instabilidades causadas pela guerra no Oriente Médio e à crise do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz.

Starmer se emocionou ao anunciar a renúncia, encerrando um governo que prometeu reconstrução, mas não conseguiu superar as crises internas. A transição para Burnham, se concretizada, representará uma tentativa de renovação e estabilidade para o país.

Analistas apontam que o legado de Starmer será avaliado no longo prazo, mas seu curto mandato já é lembrado como um dos mais turbulentos da história recente britânica, marcado por expectativas não cumpridas e desafios persistentes.

A corrida sucessória agora se concentra em Burnham, que precisa evitar uma disputa interna para garantir uma transição rápida e ordenada. O partido espera que a renovação traga de volta a confiança dos eleitores, enquanto o país observa atentamente os próximos passos.

Fonte: O GLOBO

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