POLÊMICALindbergh aciona PF e Interpol para investigar financiamento de cinebiografia de Bolsonaro

publicidade

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou, no último fim de semana, um ofício à Polícia Federal e à Interpol solicitando a abertura de uma investigação conjunta sobre o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse. O parlamentar quer que as autoridades brasileiras e estrangeiras rastreiem a movimentação financeira ligada ao projeto e identifiquem os responsáveis pelos aportes e os possíveis beneficiários dos valores.

No documento, Lindbergh pede a preservação de registros financeiros, contratos e documentos que possam ajudar a reconstituir as operações mencionadas em reportagens recentes. Segundo ele, as informações já divulgadas sugerem a existência de uma estrutura financeira internacional montada para viabilizar a produção cinematográfica.

O ofício solicita que haja compartilhamento de dados com autoridades dos Estados Unidos, da Holanda e da Hungria. Para o deputado, a cooperação entre esses países é essencial para rastrear a origem e o destino dos recursos, além de identificar os reais financiadores e beneficiários finais das transações associadas ao filme.

Lindbergh cita reportagens da Agência Pública que apontam o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro como sendo descrito como “financiador” da produção. Segundo ele, os documentos indicam que Eduardo teria participado ativamente da captação de recursos, o que contraria declarações públicas de que ele apenas teria cedido direitos de imagem para o filme.

O parlamentar também menciona a suposta tentativa de contratar uma conta de custódia para movimentar os recursos destinados ao projeto. Esse tipo de operação, argumenta, justifica uma apuração mais aprofundada sobre os responsáveis pelos aportes e os destinatários finais dos valores.

Leia Também:  Nunes defende empresária alvo de operação e cita perseguição política

Entre os fatos destacados no pedido está uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a empresa New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia. A transferência teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, uma entidade registrada na Holanda. Lindbergh afirma que a estrutura utilizada permitiria o anonimato dos investidores, razão pela qual pede a identificação de todos os envolvidos.

Para o deputado, os elementos reunidos indicam uma “arquitetura transnacional de movimentação de recursos”, envolvendo empresas, fundações, contratos privados e mecanismos de custódia internacional. Ele sustenta que é necessário analisar detalhadamente a procedência dos valores e seu destino final para esclarecer a legalidade das operações.

Lindbergh lista cinco pontos que precisam ser esclarecidos: a origem dos recursos empregados no filme, a identificação dos financiadores e beneficiários finais, a participação de empresas e entidades estrangeiras, o fluxo financeiro entre os países envolvidos e a eventual utilização de estruturas voltadas à ocultação de investidores.

O deputado também faz referência a reportagens que relacionam o empresário Daniel Vorcaro ao financiamento do projeto. Mensagens obtidas pela imprensa indicariam que Eduardo Bolsonaro orientou o envio aos Estados Unidos de recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Isso, segundo Lindbergh, configuraria uma contradição em relação à versão oficial de que Eduardo apenas cedeu direitos de imagem.

Leia Também:  Comissão aprova projeto que garante atendimento por mulher a meninas vítimas de violência sexual

Entre as medidas solicitadas às autoridades estão a verificação de investigações já em curso sobre o caso, a obtenção de informações sobre pessoas e empresas mencionadas nas reportagens e a análise da possibilidade de usar o instrumento Silver Notice — ferramenta internacional para localização de ativos e dados financeiros.

O parlamentar pede ainda a preservação de contratos, registros contábeis, ordens de pagamento, mensagens comerciais e demais documentos relacionados às operações citadas. Ele argumenta que a atuação rápida é necessária para evitar o “apagamento de registros”, o “encerramento de contas” e a “destruição de documentos eletrônicos” que possam ser relevantes para a investigação.

Ao justificar a urgência, Lindbergh afirma que o objetivo é “seguir o caminho do dinheiro”, identificar a origem real dos valores e verificar se houve ocultação de financiadores e beneficiários. Ele considera que a estrutura financeira internacional descrita nas reportagens demanda uma apuração meticulosa por parte das autoridades.

O caso ganhou repercussão política após a revelação de que a produção do filme Dark Horse envolveria cifras milionárias e transações internacionais. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, classificou o filme como “barato” e negou irregularidades no financiamento. A solicitação de Lindbergh aumenta a pressão sobre o assunto.

Cabe agora à Polícia Federal e à Interpol avaliarem o pedido e decidirem se abrem investigação formal. O deputado espera que a cooperação internacional permita esclarecer todos os aspectos financeiros da cinebiografia de Bolsonaro.

Fonte: ND+

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade